Tribunal italiano inocenta americana acusada de homicídio

segunda-feira, 3 de outubro de 2011 19:59 BRT
 

Por Deepa Babington

PERUGIA, Itália (Reuters) - Um tribunal italiano inocentou na segunda-feira a norte-americana Amanda Knox e seu ex-namorado pelo homicídio da estudante britânica Meredith Kercher, em 2007, e determinou que os dois réus sejam postos imediatamente em liberdade, depois de passarem quase quatro anos detidos por um crime cuja autoria eles sempre negaram.

Knox e o italiano Raffaele Sollecito foram condenados em 2009 pela morte de Kercher, de 21 anos, num crime que a promotoria disse envolver drogas e sexo. Eles haviam sido sentenciados a respectivamente 26 e 25 anos de prisão.

Mas um tribunal de recursos anulou as condenações, com base em laudos independentes que colocaram em dúvida a perícia oficial do caso.

Pálida e aparentando tensão, Knox foi retirada por policiais do plenário lotado, aos prantos e quase desmaiada, quando a sentença foi lida.

O corpo de Kercher foi encontrado seminu, com mais de 40 ferimentos e um corte profundo na garganta, no apartamento que ela dividia com Knox na cidade de Perugia, onde ambas estudavam. Um terceiro acusado, o narcotraficante marfinense Rudy Guede, foi condenado no primeiro julgamento a 16 anos por seu envolvimento no caso.

O tribunal de recursos manteve a condenação a Knox pelo crime de calúnia, já que ela acusou falsamente o barman Patrick Lumumba de ser um dos assassinos. Ela foi sentenciada a três anos de reclusão, tempo que já cumpriu.

A beleza de Knox e os detalhes picantes do assassinato fizeram com que o julgamento se tornasse um grande evento midiático. Centenas de jornalistas do mundo todo lotaram o plenário do tribunal de Perugia na segunda-feira, e a situação dela despertou grande solidariedade junto à opinião pública norte-americana.

Já havia ampla expectativa de que ela e Sollecito seriam libertados, por causa da revisão forense que desmereceu as provas de DNA usadas na condenação de 2009.

Num choroso pronunciamento aos oito juízes (dois profissionais e seis leigos), antes da sentença, Knox implorou para ser libertada. "Não cometi as coisas que disseram que eu cometi. Não matei, estuprei nem roubei. Eu não estava lá", afirmou, no italiano fluente que aprendeu na cadeia.

 
A estudante norte-americana Amanda Knox chora durante seu veredito durante audiência em Perugia, Itália.  03/20/2011 REUTERS/Tiziana Fabi/Pool