Livro detalha cartas de norte-americanos a Obama

segunda-feira, 10 de outubro de 2011 20:21 BRT
 

Por Mark Egan

NOVA YORK (Reuters) - Todas as noites, o presidente dos EUA, Barack Obama, recebe o que chama de "lição de casa": uma pastinha com dez cartas de norte-americanos, numa amostra sem vernizes sobre quem são seus governados.

Obama pediu para receber essas cartas sem triagem no segundo dia de mandato, e as usa para moldar suas políticas e burilar seus discursos, agregando-lhes histórias de pessoas reais.

Essa correspondência, agora reunida no livro "Ten Letters" (dez cartas), mostra os EUA em dificuldades.

"A única maneira pela qual Obama ainda tem alguma interação íntima com os norte-americanos comuns é por meio dessas dez cartas", disse à Reuters o autor do livro, Eli Saslow, que cobre a rotina da Casa Branca como repórter do jornal The Washington Post.

O livro sai nesta semana pela editora Doubleday.

Ler as cartas enviadas pela população não é novidade para os presidentes norte-americanos, sejam eles democratas ou republicanos. O primeiro presidente dos EUA, George Washington, recebia cerca de cinco cartas por dia, que ele abria e respondia pessoalmente. No final do século 19, William McKinley contratou um assistente para lidar com o "dilúvio de cem cartas" diárias.

O hábito ganhou força na década de 1930, quando pelo rádio Franklin Roosevelt convidou a população a partilhar suas preocupações em meio à Grande Depressão. Recebeu 450 mil cartas depois do primeiro programa.

Em 1998, Bill Clinton recebeu 2,26 milhões de cartas e mais de 1 milhão de emails. Na época do escândalo sexual envolvendo a estagiária Monica Levinsky, ele recebia muitos charutos - uma piada maldosa envolvendo detalhes do relacionamento dos dois.   Continuação...