Valor das vendas de ex-tabloide de Murdoch irá para caridade

terça-feira, 11 de outubro de 2011 10:32 BRT
 

LONDRES (Reuters) - A News International, de Rupert Murdoch, irá doar 2,8 milhões de libras (4,4 milhões de dólares) arrecadados na venda da última edição do News of the World, disse a empresa nesta terça-feira, no momento em que começa a decidir como lidar com o fechamento do tablóide que esteve no centro de um escândalo de grampos telefônicos.

O chefe-executivo do braço britânico de jornais da News Corp, Tom Mockridge, disse que o dinheiro foi arrecadado com a venda de 3,8 milhões de cópias da última edição de julho do jornal que, segundo investigações, grampeou telefones de várias pessoas, desde celebridades a vítimas do crime, em busca de reportagens exclusivas.

Depois do fechamento do jornal, quase 200 pessoas deixaram a empresa e 65 funcionários foram realocados.

"Desde o fechamento do jornal, nós trabalhamos para encontrar cargos em toda a empresa para o maior número de possível de pessoas prejudicadas", disse Mockridge aos funcionários em um email. "Daqueles que se inscreveram para empregos, dois terços receberam uma oferta."

Entre os que permaneceram no grupo de mídia estavam os funcionários da revista encartada no tablóide de domingo antes de ser mudada para acompanhar o jornal The Saturday Sun. Alguns também foram mantidos para trabalhar em uma iniciativa digital, que a empresa ainda irá divulgar.

Mazher Mahmood, conhecido como o repórter investigativo "Fake Sheikh", foi transferido para The Sunday Times, também de Murdoch.

Mockridge disse que 81 integrantes haviam optado antes por deixar a empresa e cerca de 100 foram despedidos.

"Todos os ex-funcionários do News of the World receberam termos melhores de demissão", afirmou, acrescentando que 2,8 milhões de libras seriam doados a três entidades beneficentes na Grã-Bretanha. Cinco entidades na Irlanda dividiriam os lucros obtidos com as vendas no país.

A News International fechou em junho o News of the World, o tablóide de domingo mais lido na época, no auge de um escândalo de grampos telefônicos, em uma tentativa de conter a crise que prejudicou o valor e a reputação da News Corp.

O jornal foi fechado depois que alguns executivos admitiram que um investigador privado que trabalhava para o tablóide havia interceptado telefones de celebridades, vítimas de crimes e parentes dos mortos de guerra para produzir reportagens.

(Reportagem de Kate Kate Holton)