ESTREIA-"Atividade Paranormal 3" é mais tenso e angustiante

quinta-feira, 20 de outubro de 2011 10:47 BRST
 

SÃO PAULO (Reuters) - O jogo é muito simples. Com a luz desligada dentro de um banheiro, diga "Bloody Mary" três vezes e espere o fantasma aparecer. Mas o que é uma brincadeira infantil boba norte-americana, baseada em lendas sobre uma bruxa, ganha contornos aterrorizantes quando o assunto é "Atividade Paranormal 3."

Embora seja a terceira parte de uma franquia que reproduz a mesma fórmula, o resultado desta produção é tenso, muitas vezes angustiante. Afinal, para o espectador que já sabe que há um demônio à espreita, qualquer corredor escuro mostrado na tela é o começo de mais uma descarga de adrenalina.

Para entender o filme é preciso saber o que ocorreu previamente. Quando estreou em 2007, com um orçamento na casa dos milhares e dividendos em milhões de dólares, a história era tratada como verdadeira, seguindo a fórmula de "Bruxa de Blair."

Katie (Katie Featherston) e Micah (Micah Sloat) eram um casal às voltas com sons estranhos durante a noite e, por isso, decidiram espalhar câmeras pela casa para descobrir a razão. Não demora muito para a dupla - e o espectador - perceberem que há um fantasma por ali.

No filme seguinte, em 2010, para explicar a origem dessa assombração, o roteirista Christopher B. Landon (de "Paranoia") voltou um pouco no tempo e mostrou que os mesmos acontecimentos infernizaram a vida da família de Kristi, irmã de Katie. Ela, o marido e o filho ainda bebê sofreram as agruras de ter um hóspede demoníaco até encontrarem uma solução para o caso - para o azar de Katie.

Como as irmãs fizeram referências a acontecimentos na infância nos filmes anteriores, agora, a história volta para 1988, quando tudo começou. O que se vê desta vez são as gravações em VHS obtidas pelo padrasto de Katie e Kristi, Dennis (Christopher Nicholas Smith), quando estranhas situações passam a perturbar a vida em família.

Como se trata de uma fórmula, a previsibilidade é um fato. No entanto, diferentemente de suas antecessoras - e até para deixar tudo interessante -, Landon desta vez capricha no que está sendo captado pelas câmeras. Apesar dos sustos bobos recorrentes, a dupla de diretores novatos, Henry Joost e Ariel Schulman, consegue dar gás a esta história com cenas engenhosas e detalhes assombrosos desde o início do filme. Afinal, uma das críticas feitas ao primeiro e ao segundo era justamente a morosidade narrativa.

Outro detalhe importante nesta produção é o humor trazido pela primeira vez à trama. O casal Julie (Lauren Bittner) e Dennis suavizam a tensão, tal como o amigo despachado Randy (Dustin Ingram), o alívio cômico de "Atividade Paranormal 3." Pelo menos até a segunda metade do filme, quando já não há muito espaço para piadas.

A escolha da pequena atriz Jessica Tyler Brown, como a jovem Kristi, também deve ser destacada. Ela consegue passar uma naturalidade vibrante mesmo nas cenas em que conversa sorrindo com um tal amigo invisível chamado Toby.   Continuação...