ESTREIA-Zhang Yimou traz melodrama romântico em "Árvore do Amor"

quinta-feira, 20 de outubro de 2011 10:49 BRST
 

SÃO PAULO (Reuters) - O celebrado diretor chinês Zhang Yimou retorna em ao melodrama em "A Árvore do Amor," que estreia apenas no Rio de Janeiro. Baseado no romance de Ai Mi, o veterano cineasta de "Lanternas Vermelhas" (1991) e "O Clã das Adagas Voadoras" (2004) investe em uma fotografia bem-cuidada (de Zhao Xiaoding), uma das marcas registradas de suas produções, e no apelo de um romance impedido por obstáculos familiares e políticos.

Trata-se do período da Revolução Cultural, anos 1960 e 70, quando a estudante Jing (a estreante Zhou Dongyu) é enviada ao campo com seus colegas, uma viagem dentro do espírito da política da época, que visava "reeducar" os intelectuais urbanos, tirando-lhes preconceitos e atitudes tidas como "burguesas" através desse contato com a vida camponesa.

É lá que ela conhece o jovem Sun (Shawn Dou), que trabalha num projeto geológico e também faz as refeições junto à família que hospeda Jing. Timidamente, surge entre os dois um amor que terá de enfrentar várias dificuldades.

Filha de um intelectual que caiu em desgraça e está preso, Jing agora é arrimo de família, já que sua mãe, uma professora, também foi rebaixada a faxineira. Toda a esperança da família, que sobrevive miseravelmente, reside na formatura de Jing e em que ela consiga um emprego como professora, missão para qual não poupa nenhum esforço.

Um romance, ainda mais com um rapaz de condição social superior à sua, como Sun, apresenta-se, então, como inoportuno. E a família de Sun está providenciando uma noiva para ele.

Nada disso, é claro, vai impedir esse amor de florescer às escondidas, ao mesmo tempo que Jing se empenha em tarefas que a façam parecer a mais dedicada militante do Partido Comunista, afastando de si a sombra que paira sobre seus pais. Deste modo, ela usa o tempo livre em tarefas cívicas, como ajudar na reforma da escola nos finais de semana.

Observando sua amada, Sun usa os menores pretextos para estar perto dela, levando-a para rápidos encontros às escondidas. O súbito desaparecimento de Sun choca Jing, que entra em desespero. Logo se saberá que há um grave motivo para isto, que vai aproximar a história dos amantes chineses do bom e velho "Romeu e Julieta," de Shakespeare.

Em favor do diretor, reconheça-se que, apesar do excesso de clichês açucarados, ele demonstra mais uma vez ter um bom olho para descobrir talentos. O homem que lançou as hoje famosas Gong Li e Zhang Zyi pode ter revelado mais uma estrela na adorável Zhou Dongyu, de 18 anos.

Yimou poderia, no entanto, ter dispensado a narração e os letreiros, recursos muito didáticos e dispensáveis à narrativa. A razão do título é uma árvore que, supostamente, segundo a ideologia oficial, daria flores vermelhas, não mais brancas, depois do derramamento de sangue de alguns heróis à sua sombra. Uma mentira oficial que o tempo vai esclarecer.

(Por Neusa Barbosa, do Cineweb)

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