Pressão online leva mídia a mostrar imagens chocantes de Gaddafi

sexta-feira, 21 de outubro de 2011 19:27 BRST
 

Por Tom Heneghan

PARIS (Reuters) - O limiar de aceitação da publicação de imagens escabrosas como as da morte de Muammar Gaddafi vem caindo, à medida que a Internet e as mídias sociais tomam muitas das decisões editoriais que, no passado, ficavam a cargo de um grupo reduzido de jornalistas profissionais.

As imagens em vídeo tremido dos derradeiros momentos de vida de Gaddafi foram um ponto final tão dramático na luta líbia de meses contra seu ex-ditador que muitas emissoras de televisão em todo o mundo se apressaram a transmitir tanto quanto era possível.

Na manhã da sexta-feira os jornais seguiram seu exemplo, alguns espalhando por suas primeiras páginas imagens explícitas do corpo ensanguentado do ex-líder líbio, enquanto outros optavam por imagens de tropas anti-Gaddafi festejando a vitória ou imagens de arquivo de Gaddafi em sua época áurea.

No passado, mostrar imagens de uma pessoa nos estertores da morte era um tabu nas redações de jornais, mas agora até mesmo essa reserva vem cedendo diante da pressão da divulgação instantânea na Internet e, graças às imagens feitas por celulares, a disponibilidade crescente de imagens noticiosas fortes.

"Nos últimos dez anos todos os países vêm aceitando imagens mais brutais e chocantes", disse Kelly McBride, especialista em ética no centro de formação em jornalismo do Instituto Poynter, em St. Petersburg, Flórida.

Em muitos casos, disse ela, as organizações noticiosas hoje em dia não enfrentam mais a dúvida de publicar ou não uma imagem explícita, mas que é notícia, e sim a questão de como publicá-la.

"Os editores de veículos de mídia têm plena consciência de que essas imagens estão disponíveis de qualquer maneira", disse Ivor Gaber, professor de jornalismo político na City University, em Londres.

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