Chinês Ai Weiwei promete lutar contra impostos "até a morte"

quarta-feira, 2 de novembro de 2011 18:01 BRST
 

Por Sui-Lee Wee

PEQUIM (Reuters) - O artista chinês dissidente Ai Weiwei prometeu nesta quarta-feira lutar contra as acusações de evasão fiscal "até a morte" um dia depois de o governo ordenar que uma empresa ligada a ele pague 15 milhões de yuans (cerca de 4,2 milhões de reais) em impostos devidos e multas.

Weiwei, de 54 anos, um espinho no pé do governo por sua arte satírica e sua crítica da China contemporânea, foi detido sem acusações durante 81 dias, gesto que despertou o repúdio de governos ocidentais.

Ele foi solto no final de junho sob a condição de não falar com a mídia estrangeira, e desde então tem se mantido recluso e relutado em dar entrevistas.

Mas em uma conversa de duas horas com a Reuters, Ai, que participou da criação do estádio Ninho do Pássaro para as Olimpíadas de Pequim de 2008, exibiu rompantes de seu antigo eu combativo.

"Uma pessoa como Ai Weiwei pode se render? Em meu dicionário, não existe a palavra 'rendição'", declarou o artista em sua casa e estúdio no nordeste de Pequim, onde uma equipe de advogados e especialistas em impostos e sua mulher, Lu Qing, se reuniam.

"Pessoas comuns não seriam capazes de suportar isto. Mas por terem me escolhido como alvo, ainda estou disposto a segui-las neste caminho. Porque não as temo. Acho impróprio que um país se dedique a atividades vergonhosas."

Ai disse que as autoridades não lhe mostraram provas da suposta evasão fiscal e que disseram ao gerente e contador da Beijing Fake Cultural Development Ltd., que ajudou a produzir a arte internacionalmente reconhecida de Ai, que não se encontrasse com ele.

De acordo com Ai, o Bureau de Segurança Pública o tachou como o "membro controlador" da empresa, embora sua esposa seja a representante legal. Ai afirmou que se não pagar a penalidade, sua esposa pode ir para a prisão. "E por um país assim, irei combatê-los até a morte," disse.   Continuação...

 
O artista chinês dissidente Ai Weiwei fala com a imprensa em frente ao seu estúdio depois de ser liberado em Pequim, no final de junho, após ter ser detido sem acusações durante 81 dias.
Ai Weiwei prometeu nesta quarta-feira lutar contra as acusações de evasão fiscal "até a morte" um dia depois de o governo ordenar que uma empresa ligada a ele pague 15 milhões de yuans em impostos devidos e multas. 23/06/2011 REUTERS/David Gray