James Murdoch terá dia decisivo no Parlamento na quinta-feira

quarta-feira, 9 de novembro de 2011 13:59 BRST
 

Por Peter Lauria e Kate Holton

NOVA YORK/LONDRES (Reuters) - O vice-presidente de operações da News Corp, James Murdoch, vai comparecer diante de um comitê especial do Parlamento britânico na quinta-feira para uma segunda rodada de questionamento sobre o escândalo de grampos telefônicos no tabloide atualmente fechado News of the World.

De acordo com pessoas de dentro da empresa, confidentes da família Murdoch, analistas e observadores da indústria, o sucesso do comitê em colocar em James a culpa pelo que aconteceu na unidade britânica da News Corp, a News International, -- ou se James escapará da responsabilidade -- será determinante se ele ficará na News Corp como provável sucessor do pai, Rupert.

"Quinta-feira será um dia decisivo para James", disse uma fonte da News Corp e confidente da família Murdoch, que pediu para não ser identificada. "A situação é muito mais terrível que da última vez."

Reportagens nas últimas semanas detalharam como Elizabeth Murdoch, a mais velha dos três filhos de Rupert de seu segundo casamento, pressionou pela expulsão de James da empresa durante os preparativos para a primeira aparição dele perante o Parlamento, em julho, e o quão seriamente Rupert ponderou a questão.

Essas histórias confirmaram uma reportagem da Reuters no início de agosto citando fontes internas da News Corp dizendo que eles estavam se preparando para a possibilidade de que James pudesse precisar dar uma "pausa" da empresa, como resultado dos danos à sua credibilidade causados pelo escândalo.

Uma porta-voz da News Corp se recusou a comentar sobre como James Murdoch planeja lidar com o depoimento de quinta-feira ou com especulações sobre seu futuro.

Desde julho, a situação não melhorou para James. Na verdade, piorou. Seu depoimento inicial foi imediatamente contradito por Colin Myler e Tom Crone, o ex-editor e ex-chefe jurídico do News of the World.

James não teria sido reeleito para o conselho da News Corp na reunião anual de acionistas da empresa, no final de outubro, se não fosse pelo controle da família Murdoch de 40 por cento dos votos. Descontando os votos da família, a reeleição de James teria sido rejeitada por uma margem de mais de 3 para 1.

Na segunda-feira, a News International, braço de jornais britânicos da News Corp, admitiu que sua equipe tinha ordenado a vigilância de dois advogados que representam as vítimas processando o grupo de mídia pelo rastreamento de telefones, e na terça-feira um investigador privado disse à BBC que ele tinha sido pago pelo News of the World para espionar mais de 90 pessoas, incluindo o príncipe William e os pais do ator de "Harry Potter" Daniel Radcliffe.

Durante o depoimento de quinta-feira, a comissão estará à procura de evidências para provar que foi enganada por James em sua última aparição. Na ausência de qualquer prova concreta, no entanto, tudo que a comissão tem para seguir adiante são relatos conflitantes de quando James tomou conhecimento de que o rastreamento de telefones envolvia mais de um jornalista do tabloide.