JK Rowling diz em inquérito que se sentia refém da imprensa

quinta-feira, 24 de novembro de 2011 18:33 BRST
 

Por Kate Holton e Michael Holden

LONDRES (Reuters) - A escritora JK Rowling, autora da série "Harry Potter", disse nesta quinta-feira no inquérito público sobre a imprensa britânica que teve de mudar de casa devido ao assédio dos tabloides, e se sentiu como refém em sua casa após dar à luz.

Em duas horas de depoimento, ela revelou que um jornalista enfiou um bilhete na mala escolar da sua filha, e que ela perseguiu um paparazzo por uma rua quando ele tentou tirar fotos dela com os filhos.

A escritora, sempre zelosa pela intimidade dos três filhos, disse que certos jornais podem ser "rancorosos" e buscar vingança contra quem se volta contra comportamento de seus profissionais.

"Isso não se aplica à imprensa inteira, mas a atitude parece ser profundamente arrogante, de indiferença, de quem não importa, você é famoso, você está pedindo isso", afirmou.

O chamado Inquérito Leveson, realizado na Alta Corte de Londres, foi solicitado pelo primeiro-ministro David Cameron depois da revelação, meses atrás, de que o extinto tabloide News of the World espionou as caixas postais telefônicas de milhares de pessoas.

Nesta semana, o inquérito colheu o depoimento de personalidades como o ator Hugh Grant e os familiares de vítimas de homicídios notórios, todos eles explicando como sofreram nas mãos dos jornalistas da imprensa popular britânica.

Inicialmente com aspecto nervoso, e falando baixo, Rowling revelou que dois anos após o lançamento dos primeiros livros da série "Harry Potter", em 1997, ela foi forçada a mudar de casa.

"Havia se tornado insustentável permanecer naquela casa", disse ela, lembrando como fotógrafos e jornalistas cercavam o imóvel. "Eu ficava como um animal exposto para que alguém viesse me achar."   Continuação...