Mulher de artista chinês é interrogada como "suspeita de crime"

terça-feira, 29 de novembro de 2011 14:19 BRST
 

Por Sui-Lee Wee

PEQUIM (Reuters) - A mulher do artista dissidente chinês Ai Weiwei afirmou nesta terça-feira que a polícia a tratou como "suspeita de um crime" quando foi levada para três horas de interrogatório, em um sinal de que o governos está intensificando os esforços para intimidar Ai -- seu mais famoso crítico social.

Lu Qing, 4de 7 anos, foi a mais recente pessoa ligada a Ai a ser levada para interrogatório. Mas ela foi liberada logo depois e disse que os policiais não revelaram qual tipo de crime ela era suspeita de cometer.

Ai foi preso em local secreto por 81 dias no início deste ano e libertado no final de junho -- num caso que provocou protestos no exterior. Ai e seus partidários disseram que ele foi vítima da repressão do Partido Comunista contra a dissidência. Mas o governo o acusa de evasão fiscal, o que ele nega.

Lu disse que a polícia a interrogou sobre suas responsabilidades na Beijing Fake Cultural Development, empresa que está no centro do caso de evasão fiscal, que os críticos do governo afirmam ser uma vingança política contra Ai.

Lu é a representante registrada legalmente da empresa, e, portanto, poderia também ser alvo de acusações.

"Eu não esperava isso de jeito nenhum", disse Lu à Reuters. "Quatro pessoas da Polícia de Chaoyang, em Pequim, entraram sem pedir licença esta tarde e vieram com uma intimação que dizia que eu era suspeita de crime."

"(Depois) Perguntei-lhes: Que crime eu sou suspeita de cometer?", contou. "Eles disseram: 'Não podemos te dizer'."

A polícia disse a Lu que ela não poderia deixar Pequim "no curto prazo", mas se recusou a lhe dizer por quanto tempo. Lu afirmou que eles também lhe falaram que poderiam levá-la de volta a qualquer hora para interrogatório.   Continuação...

 
Artista chinês Ai Weiwei fala com sua equipe em seu estúdio, em Pequim. A esposa do artista afirmou nesta terça-feira que a polícia a tratou como "suspeita de um crime" quando foi levada para três horas de interrogatório, em um sinal de que o governos está intensificando os esforços para intimidar Ai -- seu mais famoso crítico social.
 15/11/2011  REUTERS/David Gray