Leonardo da Vinci ressurge como autômato na Suíça

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011 15:10 BRST
 

Por Silke Koltrowitz e Nathalie Olof-Ors

SAINTE-CROIX, Suíça (Reuters) - Não se deixe enganar pelo look retrô dos homens mecânicos construídos pelo artesão suíço François Junod - eles fascinam os fãs de tecnologia do Vale do Silício à Ásia e sem dúvida ganharão mais popularidade com o lançamento do filme de Martin Scorsese "Hugo" sobre um segredo escondido em um autômato.

O mais recente projeto de Junod é uma imagem de Leonardo da Vinci de 80 centímetros que será capaz de fazer desenhos complicados escrever textos espelhados em Latim.

"Trabalhei na escultura por dez anos e no mecanismo por seis anos. Ainda não tenho um comprador, então ele pode ser meu", afirmou Junod, cercado por uma profusão de ferramentas, máquinas e esboços em um workshop no vilarejo de Sainte-Crox, nas montanhas suíças do Jura.

A sua criação mais complexa até então, um Alexander Pushkin animado por um mecanismo que o permite escrever 1.458 poemas diferentes, foi comprado no ano passado por um empresário do Vale do Silício por um preço mantido em sigilo.

"Modelos complexos podem levar anos de trabalho e custar até 1,2 milhão de francos suíços (1,32 milhão de dólares)", disse Junod, mostrando orgulhosamente os autômatos históricos que colecionadores de todo o mundo pedem que ele restaure.

"Antes, eu trabalhava basicamente para os clientes japoneses, porque os autômatos têm uma tradição lá. Mas hoje tenho clientes do mundo inteiro", afirmou Junod, citando entre eles o sultão de Brunei e o falecido Michael Jackson.

O interesse nesses bonecos sofisticados conhecidos como autômatos provavelmente aumentará com o novo filme em 3D de Scorsese, "Hugo", que estreia nos cinemas britânicos esta semana.

Baseado em um livro infantil best-seller de Brian Selznick, o filme conta a história de um menino em uma estação ferroviária de Paris nos anos 1930, que luta para desvendar um segredo escondido no autômato de seu pai.

"O filme será uma boa propaganda para o meu negócio", afirmou Junod. "As pessoas que o assistirem poderão pensar que ninguém mais faz autômatos."