Decano norte-americano da cena literária parisiense morre aos 98

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011 14:07 BRST
 

Por Catherine Bremer

PARIS (Reuters) - O homem que cuidou de uma geração de aspirantes a escritores em uma livraria de língua inglesa em Paris, oferecendo comida e uma cama para fãs da literatura em troca de eles espanarem as estantes do local ou escreverem as próprias memórias, morreu aos 98 anos.

O norte-americano George Whitman morreu no pequeno apartamento em cima da livraria Shakespeare and Company, onde ele conviveu com os poetas beatniks Allen Ginsberg e Jack Kerouac há meio século e onde fazia chás literários aos domingos para quem quisesse aparecer.

Homenageado com uma medalha francesa por sua contribuição para a cena literária de Paris, Whitman tornou-se uma figura paternal por mais de seis décadas para uma enxurrada de aspirantes a escritores de todo o mundo, que buscavam abrigo no segundo andar da sua livraria durante semanas.

Henry Miller certa vez descreveu sua loja, aberta em 1951 na margem esquerda do Sena, como "um mundo das maravilhas de livros".

"Milhares de pessoas do mundo todo experimentaram sua sopa de mariscos e seu sorvete de morango e sobreviveram graças a sua generosidade", disse Pia Copper, de 38 anos, uma negociante de arte que trabalhou na loja nos anos 1990 e continuou amiga próxima de Whitman.

"Ele lhes oferecia a possibilidade de viver perto de Notre Dame de graça enquanto escreviam seu primeiro romance ou pintavam um quadro. Muitos livros e poemas foram escritos ali."

A loja com a fachada verde foi fechada na quinta-feira e velas, flores e romances foram depositados em sua porta, onde um anúncio formal de sua morte dizia que ele faria falta a bibliófilos do mundo todo.

Homenagens escritas à mão coladas na loja agradeciam Whitman por sua generosidade ao fornecer um abrigo para "aficionados" da literatura ou desculpas por não terem conseguido terminar seus romances.   Continuação...