December 19, 2011 / 3:42 PM / 6 years ago

Beba pela má saúde da máfia no café Dolce Vita de Roma

3 Min, DE LEITURA

Por Philip Pullella

ROMA (Reuters Life!) - Durante os dias gloriosos da Dolce Vita, nos anos 1960, o Café de Paris, em Roma, era um dos preferidos de estrelas de cinema e sultões.

Depois, um dos locais que deu ao mundo a palavra paparazzi entrou em declínio junto com o resto da Via Veneto, e há dois anos atingiu o fundo do poço quando a polícia descobriu que era usado como local de lavagem de dinheiro da máfia, e o confiscou.

Esta segunda-feira marcou seu renascimento quando, em associação com um dos principais grupos anti-máfia da Itália, o famoso café e restaurante começou a servir vinhos, massas e outros alimentos produzidos em terras confiscadas da máfia em todo o sul da Itália.

Agora quem visitar Roma pode comer e beber à má saúde da máfia no mesmo local que inspirou o falecido cineasta Federico Fellini a fazer o clássico de 1960 "La Dolce Vita", e ao mesmo tempo ajudar o movimento italiano anti-máfia.

"Os novos administradores querem que o café ofereça produtos que não sejam apenas bons, mas justos", disse o padre Luigi Ciotti do grupo anti-máfia Libera, que dirige a cooperativa de fazendas em terras confiscadas dos mafiosos.

"Isso tem um grande significado porque vira de ponta cabeça a situação desse lugar", disse no café que foi um dos lugares de onde o ator Marcello Mastroianni saiu para cobrir o jet-set com seu fotógrafo Paparazzo. "Ajuda na busca por verdade e justiça", disse.

Entre os diversos produtos, os clientes podem pedir vinho tinto da cooperativa Centopassi perto de Corleone, a cidade siciliana tornada famosa nos filmes O Poderoso Chefão, ou comer massa feita com trigo cultivado em uma propriedade confiscada do crime organizado perto de Nápoles.

Em 2005, o clã Cosoleto, do grupo criminoso organizado 'Ndrangheta, da Calábria, comprou o Café de Paris para utilizá-lo para a lavagem de dinheiro.

"O que está acontecendo aqui hoje envia uma mensagem de grande valor social", disse Maurizio Occhiuto, um dos dois advogados que administra o Café de Paris em nome dos magistrados calabreses que ordenaram seu confisco em 2009.

O Café de Paris tem entre 30 e 50 funcionários, dependendo da temporada. A maioria é jovem demais para lembrar os dias da Dolce Vita, mas todos assistiram ao filme e estão felizes em trabalhar em um lugar que faz parte da história do cinema.

"Nós nos sentimos bem aqui. Nossos direitos trabalhistas são respeitados, todos acham que está melhor agora", disse um barman, que não quis se identificar.

"Esperamos que as pessoas venham aqui pelo bom serviço, pela história do lugar e pelo prestígio e, agora, porque estamos ajudando o movimento anti-máfia", disse.

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