Beba pela má saúde da máfia no café Dolce Vita de Roma

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011 13:38 BRST
 

Por Philip Pullella

ROMA (Reuters Life!) - Durante os dias gloriosos da Dolce Vita, nos anos 1960, o Café de Paris, em Roma, era um dos preferidos de estrelas de cinema e sultões.

Depois, um dos locais que deu ao mundo a palavra paparazzi entrou em declínio junto com o resto da Via Veneto, e há dois anos atingiu o fundo do poço quando a polícia descobriu que era usado como local de lavagem de dinheiro da máfia, e o confiscou.

Esta segunda-feira marcou seu renascimento quando, em associação com um dos principais grupos anti-máfia da Itália, o famoso café e restaurante começou a servir vinhos, massas e outros alimentos produzidos em terras confiscadas da máfia em todo o sul da Itália.

Agora quem visitar Roma pode comer e beber à má saúde da máfia no mesmo local que inspirou o falecido cineasta Federico Fellini a fazer o clássico de 1960 "La Dolce Vita", e ao mesmo tempo ajudar o movimento italiano anti-máfia.

"Os novos administradores querem que o café ofereça produtos que não sejam apenas bons, mas justos", disse o padre Luigi Ciotti do grupo anti-máfia Libera, que dirige a cooperativa de fazendas em terras confiscadas dos mafiosos.

"Isso tem um grande significado porque vira de ponta cabeça a situação desse lugar", disse no café que foi um dos lugares de onde o ator Marcello Mastroianni saiu para cobrir o jet-set com seu fotógrafo Paparazzo. "Ajuda na busca por verdade e justiça", disse.

Entre os diversos produtos, os clientes podem pedir vinho tinto da cooperativa Centopassi perto de Corleone, a cidade siciliana tornada famosa nos filmes O Poderoso Chefão, ou comer massa feita com trigo cultivado em uma propriedade confiscada do crime organizado perto de Nápoles.

Em 2005, o clã Cosoleto, do grupo criminoso organizado 'Ndrangheta, da Calábria, comprou o Café de Paris para utilizá-lo para a lavagem de dinheiro.   Continuação...