21 de Dezembro de 2011 / às 18:43 / em 6 anos

Steven Spielberg fala sobre "Tintim" e "Cavalo de Guerra"

Por Bob Tourtellotte

LOS ANGELES, 21 Dez (Reuters) - Steven Spielberg está entre os diretores mais prolíficos da história. Nesta semana de feriados de fim de ano, ele está com dois filmes nos cinemas dos Estados Unidos.

“As Aventuras de Tintim”, filme animado por computador usando tecnologia de motion capture, é baseado nos livros do escritor belga Hergé sobre um garoto jornalista aventureiro. “Tintim”, de Spielberg, acompanha o garoto enquanto ele busca por pistas que levem a um tesouro pirata.

O outro filme de Spielberg, “Cavalo de Guerra”, é baseado em um livro e peça sobre o amor entre um garoto e seu cavalo que resiste às devastações da Primeira Guerra Mundial. É o tipo de drama com cara de Oscar.

Spielberg conversou com a Reuters sobre ambos os filmes. “Tintim” estreia nos Estados Unidos na sexta-feira, 23 de dezembro, e “Cavalo de Guerra”, no dia do Natal.

P: Você comentou sobre “Tintim” que, assim que leu o primeiro dos livros, a ideia de um filme nunca te abandonou. Por quê?

R: Eu nunca tinha visto um personagem com tanta tenacidade para alcançar um objetivo. Penso em Tintim e temos uma coisa em comum: somos ambos muito focados e admiro muito essa qualidade.

P: Você adquiriu os direitos em 1983. Por que demorou tanto para levá-lo ao cinema? Você queria fazer uma animação, mas a tecnologia não existia?

R: Em 1983, não apenas não havia uma coisa como a tecnologia de motion capture, mas também inexistia algo como a animação digital. Era uma época analógica. E eu me preocupava em não chegar a um roteiro que satisfizesse a lembrança que milhões de pessoas tinham sobre esses personagens ilustrados. Então, passei ao menos uma década tentando desenvolver o roteiro.

Descobri como fazer o filme quando o motion capture mostrou sua bela face em ‘O Expresso Polar’ e eu disse: ‘Bem, não acho que exista ainda a tecnologia para contar a história de “Tintim”, mas essa é a forma de arte com a qual quero contar a história. Vou só esperar até que a forma de arte se desenvolva um pouco mais.’

Depois, pensei: em vez de contratar roteiristas americanos, contratarei roteiristas europeus que nasceram e cresceram com Tintim em suas vidas... Então, duas coisas: o roteiro, número um, e fazer pessoas que foram criadas com o Tintim escrever o roteiro. E número dois: esperar para que esse novo meio (animação) chegasse à maturidade onde eu achasse que pudesse dar vida realista aos personagens, onde ninguém reclamaria de que não haveria alma nos olhos.

P: “Tintim” é uma aventura e “Cavalo de Guerra”, uma história humana situada na época da guerra. Ambos parecem muito em linha com um “filme de Spielberg”. É justo dizer isso?

R: Não sei como me definir nem como falar de mim dessa forma porque tenho a desvantagem de ser eu. Não tenho o ponto de vista de um terceiro. Tudo que sei é que reajo às histórias que me movem, e “Cavalo de Guerra” me faz chorar e “Tintim” me deixa sem fôlego e me faz rir.

Adoro mudar e ser emocionalmente capaz de contar histórias que atingem altas notas diferentes, e acho que há altas notas diferentes nos dois filmes. Não acho que haja muita relação entre eles, com a exceção de que as famílias podem ver os dois - famílias mais velhas, ‘Cavalo de Guerra’, famílias mais jovens, ‘Tintim’.

P: Mas “Cavalo de Guerra” tem um tipo de natureza épica e da velha guarda com atores reais e “Tintim” é uma animação nova. Lembro que você costumava falar sobre amar trabalhar com filmes, apenas. E agora, você fez as duas coisas. Qual você prefere?

R: Sou muito abençoado de ser capaz de fazer ambos quando quero fazer ambos, e não acho que tenho de fazer uma escolha porque as ferramentas digitais fazem sentido e deixam minha imaginação correr livre. As ferramentas analógicas, as quais ainda amo, que são puro cinema, me dão a chance de captar o que a natureza proporciona, e colocamos os atores no centro da natureza e de tudo que ela faz - a forma como ‘Cavalo de Guerra’ foi feito. Então, para mim, sinto-me com sorte que posso fazer ambos.

P: Você fez 65 anos neste mês. Vai aposentar em breve?

R: Não sei. Um dos meus melhores amigos é Clint Eastwood (81) e ele é meu guia. Enquanto ele estiver bem, eu também estou.

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