Exilado, artista norte-coreano ironiza líder morto

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011 10:04 BRST
 

Por Ju-min Park

SEUL (Reuters) - Acima do vestido esvoaçante de Marilyn Monroe aparece o rosto de Kim Jong-il, o déspota norte-coreano morto neste mês. Uma pomba sobrevoa a cena, deixando uma pena caída no chão.

O artista norte-coreano Song Byeok antigamente retratava o "Estimado Líder" em peças de propaganda do regime comunista. Mas ele tentou fugir do país por causa da fome, foi apanhado e acabou em um campo de trabalhos forçados.

Depois disso, conseguiu desertar e hoje vive em Seul, capital da Coreia do Sul, onde se dedica a zombar do dirigente.

"No dia em que terminei isto, ele faleceu", disse Song, mostrando a pintura de Kim, que morreu no dia 17, aos 69 anos. "Ele não é uma criatura eterna, é como a pena de uma pomba", disse Song, que usou a pluma como símbolo de algo irrelevante. "Eu achava que seria melhor se ele tivesse feito os coreanos ficarem melhor e esquecerem a fome antes de ele morrer."

Kim foi um grande incentivador das artes na reclusa sociedade norte-coreana. Ele tinha uma grande coleção de DVDs sul-coreanos, e encomendava obras de arte.

Chegou a sequestrar um cineasta da Coreia do Sul para obrigá-lo a fazer filmes ao seu gosto.

Song nunca esteve pessoalmente com Kim, segundo membro de uma dinastia que assumiu o poder quando do surgimento da Coreia do Norte, em 1948.

Toda manhã, ele recebia um esboço da propaganda que o Estado desejava que ele ilustrasse naquele dia. "Como poderia eu, um simples plebeu, conhecer Kim Jong-il? Ele é o sol", ironizou o pintor e escultor, de 42 anos.   Continuação...