Carta deixada de herança revela falta de dinheiro de Beethoven

terça-feira, 10 de janeiro de 2012 16:50 BRST
 

Por Madeline Chambers

BERLIM, 10 Jan (Reuters) - Uma carta rara escrita à mão pelo compositor alemão Ludwig van Beethoven, reclamando de doença e de falta de dinheiro, apareceu em um instituto no norte da Alemanha como parte de uma herança, provocando excitação entre os amantes do gênio musical.

O Instituto Brahms na cidade de Luebeck, no norte do país, disse que a carta de seis páginas que traz a assinatura do compositor e o selo original era, em resumo, uma tentativa de vender sua conhecida missa "Missa solemnis", que ele completou em 1823.

Na carta, Beethoven pede ao harpista e compositor Franz Anton Stockhausen que o ajude a encontrar compradores para a missa.

O mais surpreendente são os detalhes sobre sua situação pessoal, como suas preocupações financeiras, uma doença ocular e uma tentativa de encontrar um dentista amante de música que havia escrito para ele, disse Stefan Weymar, pesquisador musical do instituto.

"Meu salário baixo e minha doença exigem esforços para fazer melhor fortuna", escreveu Beethoven na carta, que ficou amarelada com o tempo e precisa ser armazenada em condições especiais e tocada com luvas.

Beethoven, que tinha 53 anos quando escreveu a carta, continua dizendo que a educação de seu sobrinho era dispendiosa e que o garoto precisaria de apoio após sua morte. A escrita, que se inclina para a direita, dá a impressão de bagunçada e está repleta de correções e rabiscos.

"Beethoven não era um compositor com uma letra bonita. É espontâneo e ele escreveu coisas, então as rabiscou, seus pensamentos mudaram conforme escrevia, e é essa a impressão deixada pela carta", disse à Reuters Weymar.

No final, ele escreve: "todas as cartas a mim não precisam de nada além de 'para L. v. Beethoven em Viena', onde eu recebo tudo".   Continuação...

 
Imagem mostra rara carta de Beethoven de 1823, no Instituto Brahms, na cidade de Luebeck, Alemanha, em 20 de dezembro de 2011. 30/12/2011 REUTERS/Mathias Broesicke/Dematon Luebeck