ESTREIA-"Tomboy" retrata vivências de menina que quer ser menino

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012 12:45 BRST
 

SÃO PAULO, 12 Jan (Reuters) - A experimentação dos limites da própria identidade sexual de um ponto de vista infantil é o centro de "Tomboy", filme escrito e dirigido pela francesa Céline Sciamma que venceu o principal prêmio do público do Festival Mix Brasil, em São Paulo, em novembro, e o Teddy Bear no Festival de Berlim - prêmio dedicado a produções de temática gay -, em fevereiro de 2011.

O filme estreia em São Paulo, Porto Alegre e Juiz de Fora. Laure (Zoé Héran) é uma menina de 10 anos que acaba de mudar novamente de casa com os pais (Sophie Cattani e Mathieu Demy) e a irmã caçula, Jeanne (Malonn Lévana). Cabelinhos curtos, jeito de moleca, ela explora a nova vizinhança e procura amigos. Encontra uma aliada para entrar na nova turma em Lisa (Jeanne Disson). Por alguma razão, Laure decide apresentar-se como menino, usando o nome de Michael.

A farsa exige cada dia novos desafios. Como fazer pipi no intervalo do jogo de futebol? Como nadar na piscina e não dar bandeira? Laure/Michael, aliás, tem muita imaginação em todos os quesitos e vai resolvendo as questões. Lisa, por sua vez, está se apaixonando por ela.

Os pais não sabem de nada. E a irmãzinha logo vira cúmplice, encarando tudo apenas como brincadeira. Este é um filme, aliás, em que o ponto de vista dos adultos não interessa muito. O foco está na protagonista e em sua vontade de explorar esse novo território de seu corpo - embora o filme não ouse mais do que uma troca de beijos aqui.

Visivelmente, a diretora evita o tom dramático, ainda no momento em que a mentira de Laure se torna pública. Há um eco, aqui e ali, de "Minha Vida em Cor-de-rosa" (1997), do diretor belga Alain Berliner, em que a situação básica envolvia um menino que queria ser menina. Em comparação, o filme de Berliner tinha mais fôlego no desenvolvimento das situações e mais humor, também.

O ponto forte de "Tomboy", indiscutivelmente, está em sua delicadeza e na naturalidade com que se acredita em sua protagonista, que exala sinceridade. Ao não fechar demais o foco sobre as consequências da exposição da verdade sobre ela, o filme também ganha pontos, deixando algumas tarefas à imaginação do espectador.

(Por Neusa Barbosa, do Cineweb)

* As opiniões expressas são responsabilidade do Cineweb