ESTREIA-Aventuras de "Tintim" são a nova magia de Spielberg

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012 13:47 BRST
 

SÃO PAULO, 19 Jan (Reuters) - Uma vez, Steven Spielberg descreveu Tintim, o personagem criado nos quadrinhos do desenhista belga Hergé (1907-1983), como "o Indiana Jones para crianças". Nada mais lógico, portanto, que o diretor americano um dia se dedicasse a levar para a tela a história, o que ele faz com grande fidelidade ao visual original em "As aventuras de Tintim".

O filme venceu o Globo de Ouro de melhor animação e concorre a diversos outros prêmios, como o do Sindicato de Produtores da América, considerado um sério indicador de que poderá receber indicações ao Oscar.

Convivem em Spielberg dois lados: o mago da técnica, que por seu prestígio pode permitir-se não poupar recursos (o que ele faz realizando uma animação baseada na captura eletrônica dos movimentos dos atores e no 3D) e também uma espécie de coração de menino, sempre em busca da fonte de maior encantamento. Embora, é bom que se diga, em "As aventuras de Tintim" o charme apela mais ao mundo masculino.

Escrita pelos roteiristas britânicos Steven Moffat, Edgar Wright e Joe Cornish, a história mistura três aventuras escritas por Hergé entre 1941 e 1944. O jovem repórter Tintim (Jamie Bell, de "Billy Elliott") compra numa barraca de antiguidades um modelo de navio a vela, o Unicórnio. Segundos depois da compra, Tintim é assediado pelo misterioso Ivan Sakharine (Daniel Craig), que oferece uma alta soma pelo navio. Mas o rapaz não aceita.

O navio esconde um segredo: dentro de seu mastro está uma das três partes de um tipo de mapa que leva a um tesouro perdido nos séculos. Sem saber de nada, Tintim tem a desagradável surpresa de encontrar seu apartamento arrombado e revirado. Como os ladrões não encontraram o que queriam, o próprio Tintim será exposto ao perigo, sendo sequestrado por malfeitores num navio.

Nesse navio, enquanto põe para funcionar suas mil e uma habilidades, beneficiando-se também de seu não menos esperto cãozinho, Milu, Tintim encontra um capitão alcoólatra, Haddock (Andy Serkis), descendente do capitão que achou originalmente o tesouro, sir Francis Haddock. Forma-se aí a dupla improvável que vai tentar impedir o vilão Sakharine de apoderar-se da riqueza perdida.

A luta para encontrar as três partes do mapa leva Tintim e o capitão a viagens exóticas, que incluem o deserto do Saara - onde cai o avião que os levava - e também a uma certa Bagghar, no Marrocos. Nesta última parada, acontece uma das melhores sequências do desenho, envolvendo uma acelerada perseguição à la Indiana Jones, ladeira acima, ladeira abaixo, com vários tipos de veículos e na qual Tintim parece empenhado em provar que quase pode voar. Uma sequência que, diga-se de passagem, levou um ano e meio para ficar no ponto que Spielberg queria. Mas valeu a pena.

Outra boa sequência é o flashback que descreve a batalha entre o ancestral de Haddock e o pirata Red Rackham - na qual os dois navios a vela enroscam seus mastros em chamas, enquanto as respectivas tripulações empenham-se em encarniçada luta corporal. O filme circula em versões convencionais e 3D, dubladas ou legendadas. (Neusa Barbosa, do Cineweb)

 
O diretor Steven Spielberg olha para o ator Jamie Bell imitando a figura de Tintim pintada em um trem de alta velocidade, em Bruxelas. Foto de arquivo 22/10/2011  REUTERS/Yves Herman