Greve da PM atinge pré-Carnaval em Salvador, turismo tem impacto

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012 17:14 BRST
 

Por Sergio Queiroz

SALVADOR, 8 Fev (Reuters) - A paralisação da Polícia Militar da Bahia começava a tirar parte do brilho das tradicionais festas pré-Carnaval de Salvador e, a dez dias do início da festa, já tinha impacto negativo na época mais lucrativa para o turismo da cidade.

Desde o início da greve, em 31 de janeiro, foram registrados 130 homicídios no Estado e a paralisação, que chegou ao nono dia nesta quarta-feira, elevou os índices de roubos, assaltos e homicídios da Bahia, Estado que tem uma das maiores taxas de criminalidade do país.

Com o Carnaval de rua de Salvador, um dos maiores do mundo, a cidade tinha a expectativa de atrair 2 milhões de foliões neste ano, 500 mil deles estrangeiros, segundo a empresa municipal de turismo. A festa gera cerca de 210 mil empregos.

"Ôôô, o Carnaval acabou", gritaram em coro policiais grevistas do lado de fora da Assembleia Legislativa, em Salvador, onde cerca de 300 policiais militares estão acampados desde o início da greve na terça-feira da semana passada.

Próximos ao cerco que tropas federais impõem à Assembleia, os manifestantes entoaram um coro que expressa um sentimento que o setor de turismo tenta evitar diante do aumento das tensões.

Atrações pré-Carnaval, que teriam a participação de estrelas disputadas como Ivete Sangalo e Claudia Leitte, foram canceladas devido à greve, e operadores de turismo já contabilizam desistências devido à paralisação.

"O impacto já houve, está acontecendo e é grande. Turismo é muito sensível e vai haver uma diminuição das vendas", disse o presidente da seção baiana da Associação Brasileira das Agências de Viagens, Pedro Galvão. "A imagem da Bahia já foi afetada, arranhada pela greve."

Cerca de 10 por cento do total dos pacotes fechados foram cancelados desde o início da paralisação, segundo Galvão, que previu desistências maiores caso o movimento não seja encerrado esta semana.   Continuação...