ESTREIA-Comédia francesa vale-se do brilho de atrizes espanholas

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012 12:12 BRST
 

SÃO PAULO, 9 Fev (Reuters) - O administrador Jean-Louis Joubert (Fabrice Luchini , de "Potiche - Esposa Troféu") é um desses pacatos homens cercados de hábitos. Casado com Suzanne (Sandrine Kiberlain, de "O Pequeno Nicolau"), com quem pouco fala, e com dois filhos vivendo em um colégio interno, sua vida se restringe ao trabalho e a pequenos incidentes domésticos, como a insubordinação da empregada bretã, que acaba se demitindo.

Como sua mulher tem horror a cuidar da casa, a solução encontrada por Jean-Louis é contratar uma moça espanhola para o trabalho, Maria (Natalia Verbeke). No início da década de 1960, era comum que franceses empregassem espanholas, que chegavam em peso ao país fugindo da ditadura franquista.

Nesse contexto, há dois conflitos que o diretor e roteirista Philippe Le Guay (de "Juliette - Um Amor Alucinante") aborda em sua produção. O primeiro e mais evidente é o social, ao mostrar as condições precárias em que Maria e suas colegas vivem no tal sexto andar do edifício onde trabalham. Aqui, destacam-se os discursos da socialista Carmen (Lola Dueñas, de "Volver") e as situações cômicas que envolvem essas mulheres.

Em outro ponto, existe o encantamento crescente de Jean-Louis por Maria. O ator Fabrice Luchini exibe uma interpretação contida que reverbera na timidez de seu personagem frente à beleza da espanhola. Mesmo em uma explosão, a de ciúmes provocada por um garçom mulherengo, ele é cauteloso para aproximar-se de Maria.

Embora esses sejam os eixos dramáticos principais, Le Guay também explora em seu roteiro a colisão desses mundos. É a partir do envolvimento cada vez maior de Jean-Louis com as espanholas de seu edifício que o diretor brinca com o deslumbramento de seu herói pela vivacidade de outra cultura, que tanto falta em sua vida e em seus impulsos.

Com participação especial de Carmen Maura, no papel de Concepción," As Mulheres do Sexto Andar" é um filme correto de Philippe Le Guay, mas esquemático na forma e conteúdo. Coube a Luchini, com a ajuda de parte do elenco de apoio, salvar o filme, mas trata-se de um problema de origem.

(Por Rodrigo Zavala, do Cineweb)

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