February 20, 2012 / 3:53 AM / 5 years ago

Samba diferenciado é aposta da Portela para pôr fim a jejum

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Marisa Monte e Paulinho da Viola no carro abre-alas da Portela no Sambódromo do Rio de Janeiro. 19/02/2012Sergio Moraes

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A passagem da Portela pela avenida foi ao ritmo de um samba que é a grande aposta da escola para conquistar o primeiro título do Carnaval do Rio de Janeiro desde 1980.

A homenagem da azul e branco de Madureira à Bahia, com o enredo "Bahia: E o povo na rua cantando... É feito uma reza, um ritual", teve como ponto alto a letra do samba cantado pelo intérpreto Gilsinho, que conquistou o público na noite deste domingo na Marquês de Sapucaí.

O refrão "Madureira sobe o Pelô... tem capoeira/ Na batida do tambor... samba ioiô" ganhou as arquibancadas e empurrou a escola em seu desfile, que apresentou traços marcantes da cultura baiana, com destaque para o Carnaval de Salvador e a cantora Clara Nunes, representada pela também baiana e cantora Vanessa da Matta.

À frente da escola, desfilando juntos no carro abre-alas com a águia, símbolo da escola, os músicos e ícones porteleneses Marisa Monte e Paulinho da Viola exaltaram o samba-enredo como um trunfo da agremiação.

"Eu sou daqueles que acredita que um bom samba e bem cantado tem toda a importância", disse Paulinho a jornalistas antes de subir no carro. "Esse samba é muito bonito, que tem síncope", acrescentou, referindo-se a um estilo de samba diferente daqueles executados normalmente na avenida.

A Portela, que tenta dar a volta por cima este ano após ter sido atingida pelo incêndio na Cidade do Samba às vésperas do desfile de 2011, tirou a cantora baiana Daniela Mercury do Carnaval de Salvador para ser destaque no alto do carro-alegórico "O Canto da Cidade", referência a uma de suas músicas de maior sucesso.

"Estou emocionada, foi espetacular. Nem me lembrei que vou cantar em Salvador depois, mas lá também é espetacular", disse Daniela a jornalistas após desfilar. "Gosto de unir esse Brasil. Sou o Brasil."

Uma ala vestida como o Olodum e a bateria da escola fantasiada como o bloco baiano Filhos de Ghandi foram outras referências feitas pela Portela ao Carnaval de Salvador.

"Jorge Amado Jorge"

Cantando o escritor Jorge Amado e lembrando obras como "Gabriela", "Dona Flor" e "Tieta", a Imperatriz Leopoldinense também prestou homenagem à Bahia na avenida após o desfile da Portela, mas a verda e branca encontrou dificuldades logo no começo de desfile.

O segundo carro-alegórico da escola, representando a tradicional lavagem da Igreja do Bonfim, emperrou ao fazer a curva para ingressar na avenida, o que obrigou a escola a passar diversas alas à frente da alegoria.

Os mecânicos da escola só conseguiram colocar o carro para andar quando as baianas já estavam desfilando, mas foi impossível evitar que um buraco se abrisse, prejudicando o andamento da escola. Houve correria no final da apresentação para não estourar o tempo, mas a escola conseguiu passar no limite de 82 minutos.

"Deu tudo certo no final. Tivemos alguns problemas de carro que foram superados", disse Ernani Rodrigues, diretor de carros da Imperatriz, acrescentando que a escola espera uma boa colocação no concurso.

Por Pedro Fonseca, com reportagem adicional de Juliana Schincariol

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