Mangueira arrisca na paradona e empolga Sapucaí

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012 08:56 BRST
 

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A Mangueira inovou na tradicional paradinha de bateria e levou uma "paradona" à avenida para que o bloco Cacique de Ramos, tema do enredo da escola e desfilando num carro alegórico, cantasse o samba. A novidade conquistou o público, mas uma falha técnica no início e o prolongado silêncio da bateria nas paradas causaram uma certa confusão.

O Cacique de Ramos, um dos blocos de Carnaval mais famosos da cidade e responsável por lançar nomes como Arlindo Cruz, Beth Carvallho e Zeca Pagodinho, desfilou sobre um carro alegórico com som próprio logo à frente da bateria e do carro de som oficial. Dudu Nobre e Alcione estavam entre os cantores do Cacique, que teve a companhia do público cantando o samba até o final do desfile.

Os músicos do carro tomavam o lugar dos puxadores oficiais do samba durante as "paradonas" da bateria, que ficava até dois minutos em silêncio. Uma falha de som no carro oficial da Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa), no entanto, provocou um silêncio geral durante alguns segundos, logo aos 18 minutos de desfile.

Alguns componentes chegaram a demonstrar preocupação com a incerteza, mas foi a partir de então que as arquibancadas passaram a entoar com vibração o samba de refrão fácil da Mangueira: "Vem festejar, na palma da mão. Eu sou o samba, a voz do morro. Não dá pra conter. Tamanha emoção. Cacique e Mangueira. Num só coração."

"O público achava que era um problema de som. Até entenderem ... aí vem a catarse", disse o presidente da escola, Ivo Meirelles, a jornalistas. "A marca da bateria da Mangueira é a paradona."

"Quem mais levanta o Carnaval é a bateria. A gente arrisca, mas sabendo que dá para fazer. Que bom que deu certo essa parada show este ano", afirmou Meirelles, ex-integrante da bateria da escola.

"Carnaval é isso, as escolas têm que renovar e surpreender, e a Mangueira surpreendeu", completou.

Arlindo Cruz e Beth Carvalho abriram o desfile mangueirense num carro alegórico reunindo a velha guarda da escola e símbolos do bloco de Olaria e Ramos, na zona norte do Rio.

Um problema na entrada do último carro colocou em risco o andamento da escola e houve um princípio de buraco na avenida, que foi corrigido às pressas. Uma alegoria representando o samba em Marte - referência a um robô da Nasa que levou o samba "Coisinha do Pai" ao planeta vermelho através de uma brasileira que trabalhava na agência especial norte-americana - parou, mas voltou a andar.   Continuação...

 
Desfile da Mangueira sobre o bloco carnavalesco carioca Cacique de Ramos empolgou o público na Marquês de Sapucaí, na segunda noite de desfiles do Grupo Especial do Carnaval do Rio. 21/02/2012 REUTERS/Nacho Doce