ESTREIA-"Tão forte e tão perto" se perde em truques e artifícios

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012 14:23 BRST
 

SÃO PAULO, 23 Fev (Reuters) - A tragédia das Torres Gêmeas em 11 de setembro de 2001 é o pano de fundo da história sentimental de "Tão forte e tão perto", novo drama do inglês Stephen Daldry que conquistou duas indicações ao Oscar -melhor filme e melhor ator coadjuvante para o sempre magnético intérprete sueco Max von Sydow, num papel em que ele não pronuncia uma única palavra. E ainda assim diz tudo.

O problema do filme é bem o contrário do misterioso personagem de von Sydow. Tudo aquilo que no veterano ator sueco, habitué de filmes de Ingmar Bergman como "O Sétimo Selo" (1957), é contenção e intensidade, no filme de Daldry quase sempre se torna artifício e excesso.

A jornada central é do menino Oskar Schell (o talentoso estreante Thomas Horn). Aos 11 anos, ele sofre a morte do pai (Tom Hanks) no World Trade Center. Por mais que tente, a mãe, Linda (Sandra Bullock), não consegue comunicar-se com o filho, que ignora o quanto a magoa por essa espécie de indiferença emocional.

É como se ele rejeitasse o fato de ter sido ela a sobrevivente, não o pai, que se ocupava tanto dele, criando uma infinidade de brincadeiras e tarefas criativas para a mente inquieta do menino -que pode ter a síndrome de Asperger, um distúrbio que afeta a socialização.

Para lidar com a dor da perda paterna, um trauma que tem sérias dificuldades para expressar, Oskar desenvolve sistemas engenhosos. Primeiro, montando uma espécie de oratório em sua homenagem, do qual consta, sinistramente, a gravação na secretária eletrônica que registrou as últimas ligações do pai, preso no World Trade Center em chamas -e que o menino escondeu da mãe.

Depois, elaborando uma complexa estratégia para descobrir a serventia de uma misteriosa chave, encontrada no armário do pai.

A chave se encontrava num pequeno envelope, em que estava escrita a palavra "Black". Oskar decide, então, empreender uma busca detetivesca pela cidade de Nova York. Na lista telefônica, encontrou 472 pessoas com o sobrenome Black, que passará a procurar daí em diante. Tudo sem informar à mãe, que aparentemente não sabe de nada.

O plano de Oskar parece bem arriscado, não só pelo tamanho da tarefa, como pelo fato de que decidiu cruzar a grande cidade a pé, sem usar transporte público, em busca dos Blacks. O risco de ser rechaçado é outro mas, já na primeira visita, a Abby Black (Viola Davis, de "Vidas Cruzadas"), parece que não será este o problema.

Apesar de estar sendo abandonada naquele instante pelo marido, William (Jeffrey Wright), e debulhada em lágrimas, ela acolhe o menino. Mas não tem nenhuma informação sobre a chave.   Continuação...