Iraniano "A Separação" ganha Oscar de Melhor Filme Estrangeiro

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012 02:18 BRT
 

26 Fev (Reuters) - O iraniano "A Separação" ganhou o Oscar de Melhor Filme em Língua Estrangeira neste domingo, durante a cerimônia da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas em Los Angeles, nos Estados Unidos.

O filme, de Asghar Farhadi, conta a história emotiva da dissolução de um casamento. Venceu o Urso de Ouro no Festival de Berlim 2011 e também acumulou as premiações de melhor ator e atriz, divididas entre suas duas duplas de protagonistas. Também ganhou o Globo de Ouro de melhor filme em língua estrangeira.

"Neste momento, muitos iranianos em todo o mundo estão nos assistindo e imagino que estão muito felizes", disse Farhadi ao receber o Oscar.

"Em um momento de cabo de guerra, intimidação e agressões trocadas entre políticos, o nome do país deles, o Irã, é falado aqui através de sua gloriosa cultura, uma cultura rica e antiga que tem sido escondida sob a poeira pesada da política", afirmou.

"Eu orgulhosamente ofereço esse prêmio para o povo do meu país, às pessoas que respeitam todas as culturas e civilizações e desprezam hostilidade e ressentimento", acrescentou.

A história começa num tribunal em que o casal de classe média formado pela médica Simin (Leila Hatami) e o bancário Nader (Peyman Moadi) discute seu divórcio. Simin quer deixar o país e levar a filha única de 11 anos, Termeh (Sarina Farhadi). Nader alega que não pode abandonar o pai (Ali-Asghar Shalbazi), que sofre de Alzheimer.

Desprezando a petição de Simin, o juiz nada resolve. O casal se divorcia e Simin ruma para a casa da mãe, permanecendo num impasse, já que a filha fica com o pai. Depois, contrata-se uma empregada, Razieh (Sareh Bayat), para cuidar do sogro.

Ultra-devota, Razieh entra em conflito com suas tarefas cotidianas, que incluem trocar e banhar o patrão idoso. Outros problemas familiares afloram. Seu marido, Hodjat (Shahab Hosseini), está desempregado, ela tem que levar para o trabalho a filha pequena (Kimia Hosseini).

Um dia, Nader chega mais cedo em casa e descobre o pai sozinho e amarrado na cama. Por ter supostamente causado o aborto da empregada depois de um empurrão, Nader acaba processado. A partir deste novo impasse jurídico, emerge uma meticulosa discussão sobre a elaboração da verdade.   Continuação...

 
Asghar Farhadi, diretor do filme iraniano "A Separação", posa com o Oscar de Melhor Filme em Língua Estrangeira recebido em Los Angeles, nos Estados Unidos. 26/02/2012 REUTERS/Mike Blake