27 de Fevereiro de 2012 / às 05:39 / 5 anos atrás

Filme mudo "O Artista" é o grande vencedor do Oscar

O produtor do filme "O Artista", Thomas Langmann, recebe o Oscar de Melhor Filme, em Los Angeles, nos Estados Unidos. O romance francês recebeu outras quatro estatuetas na noite. 26/02/2012Gary Hershorn

Por Bob Tourtellotte

LOS ANGELES, 27 Fev (Reuters) - O filme mudo "O Artista", de Michel Hazanavicius, conquistou cinco prêmios Oscar no domingo, incluindo o de Melhor Filme, e "A Invenção de Hugo Cabret, de Martin Scorsese, levou também cinco dos maiores prêmios do cinema mundial, mas dois deles em categorias técnicas, numa noite em que histórias sobre cinema caíram nas graças de Hollywood.

O filme "O Artista", em preto e branco, conta a história de um astro do cinema mudo de Hollywood que entra em decadência quando tem início o cinema falado e depois encontra a redenção por meio do amor de uma mulher. Concorria em 10 categorias e conquistou as estatuetas de Melhor Filme, Melhor Ator, para o francês Jean Dujardin, Melhor Diretor, para Michel Hazanavicius, e também os de Trilha Sonora e Figurino.

"Eu sou o diretor mais feliz do mundo agora, obrigado a vocês por isso", disse Hazanavicius à plateia de astros, que incluía George Clooney, Michelle Williams, Angelina Jolie, Brad Pitt, como também membros da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas.

Dujardin estava igualmente em êxtase, declarando "Amo esse país". Ele agradeceu à academia, companheiros da carreira no cinema e sua mulher, e também recordou o diretor do cinema mudo Douglas Fairbanks como uma inspiração para seu trabalho.

Meryl Streep ganhou o Oscar por sua interpretação da ex-primeira-ministra britânica Margaret Thatcher, que está perdendo a memória, no filme "A Dama de Ferro". Essa foi a terceira vez que ela levou um Oscar, nas 17 vezes em que disputou o prêmio.

Meryl brincou, dizendo que a plateia provavelmente estava cansada de vê-la. Depois, acrescentou. "Que seja". Mas a atriz não conseguiu ocultar a emoção, já que engasgou ao agradecer ao marido e falar de sua longa carreira.

O Brasil mais uma vez não conseguiu conquistar um Oscar. Na única categoria disputada por brasileiros, a de Canção Original, o vencedor foi "Man or Muppet", de "Os Muppets", música e letra de Bret McKenzie, que derrotou o outro único concorrente, "Real in Rio", da animação "Rio", com música de Sergio Mendes e Carlinhos Brown, letra de Siedah Garrett.

PREMIAÇÃO PREVISÍVEL

A cortina rosa na cerimônia de entrega dos Oscars em Hollywood no domingo teve Billy Crystal fazendo as piadas da apresentação, atrizes deslumbrando os fãs com vestidos esplêndidos e prêmios que não surpreenderam nas categorias importantes.

A estatueta da categoria Atriz Coadjuvante foi para Octavia Spencer, por "Histórias Cruzadas", e a de Ator Coadjuvante, para Christopher Plummer.

"A Invenção de Hugo Cabret" disputava no maior número de categorias -11 no total- e encerrou a noite com cinco estatuetas por Melhor Fotografia, Direção de Arte, Edição de Som, Mixagem de Som e Efeitos Visuais. O filme conta a história de um menino perdido em uma estação de trem, que também serve como uma ode aos primórdios do cinema.

A primeira grande premiada da noite foi Octavia Spencer, Melhor Atriz Coadjuvante pelo papel de uma empregada negra num drama sobre direitos civis nos Estados Unidos, em "Histórias Cruzadas". Octavia foi aplaudida de pé.

"Obrigada, academia, por me deixar com o cara mais quente da sala", disse ela segurando o Oscar na mão. Depois, ela começou a falar de sua família no Estado do Alabama e não pôde conter as lágrimas enquanto agradecia entusiasticamente.

"Eu compartilho isso com todo mundo... Estou encerrando, eu sinto muito, eu estou pirando. Obrigada mundo", acrescentou.

Christopher Plummer, de 82 anos, conquistou a estatueta de Ator Coadjuvante pelo papel de um gay idoso, em "Toda Forma de Amor". Foi o primeiro Oscar de Plummer, que começou a carreira em "A Noviça Rebelde" e também foi ovacionado pela plateia de pé. Ele fez história ao se tornar a pessoa mais velha a receber um Oscar até hoje.

"Você é apenas dois anos mais velho do que eu, querido. Por onde você esteve durante toda a minha vida?", disse o ator, olhando para a estatueta do Oscar, concedida pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas há 84 anos.

A premiação de Melhor Roteiro Adaptado foi para Alexander Payne, por "Os Descendentes", filme muito elogiado, e a de Roteiro Original ficou com o cineasta Woody Allen, por "Meia-Noite em Paris". Woody Allen não costuma comparecer à cerimônia, por isso o prêmio vai ser enviado a ele.

Na categoria de Melhor Filme em Língua Estrangeira o vencedor foi o iraniano "A Separação", um drama sobre um divórcio.

"Eu orgulhosamente ofereço esse prêmio para o povo do meu país, às pessoas que respeitam todas as culturas e civilizações e desprezam hostilidade e ressentimento", disse o diretor iraniano, Ashgar Farhadi.

BILLY CRYSTAL DE VOLTA

O ator e comediante Billy Crystal, que voltou a apresentar o Oscar, pela nona vez, provocou risos sonoros dos maiores astros de Hollywood na apresentação do vídeo de abertura, uma montagem em que ele aparecia em cenas dos principais filmes na disputa pelo Oscar, incluindo "O Artista".

Nas cenas, Crystal recebia um beijo na boca de George Clooney em "Os Descendentes" e até comia uma torta estragada em "Histórias Cruzadas".

Crystal começou com um monólogo no qual dizia: "não há nada como ficar observando um punhado de milionários se presenteando uns aos outros com estatuetas douradas". Ele cantou uma canção sobre filmes e arrebatou aplausos da plateia.

Já o grande desfile de moda no tapete vermelho, na chegada dos convidados à cerimônia, teve como pontos altos a aparição da atriz Michelle Williams em um esplêndido vestido vermelho Louis Vuitton e a atriz Jessica Chastain em um faiscante Alexander McQueen negro com bordados em ouro. Outro destaque foi Gwyneth Paltrow, que escolheu um modelo Tom Ford, na cor branca.

"Rango" levou o prêmio de Melhor Animação e "Underfeated" foi a primeira surpresa da noite, como o Melhor Documentário.

Dirigido por Daniel Lindsay e T.J. Martin, o filme é um retrato inspirador da luta de um time de futebol de um colégio num bairro pobre da cidade de Memphis, nos Estados Unidos. Mostra como um técnico voluntário carismático transforma a equipe e cada jogador depois de anos de derrotas. O franco favorito era "Paradise Lost 3: Purgatory".

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