ESTREIA-"O Porto" traz fábula humanista sobre a imigração ilegal

quinta-feira, 1 de março de 2012 11:12 BRT
 

SÃO PAULO, 1 Mar (Reuters) - Primeiro filme falado em francês do premiado diretor finlandês Aki Kaurismaki, "O Porto", que estreia em São Paulo e no Rio, é uma espécie de manual de seu estilo econômico e sutil, bem como uma esperta coleção de homenagens e detalhes para elaborar uma fábula humanista sobre a imigração ilegal.

O filme venceu o prêmio da Fipresci, Federação Internacional dos Críticos, no Festival de Cannes 2011.

Também filmado na França, "O Porto" ambienta-se na localidade portuária de Le Havre, zona de desembarque de imigrantes e circulação de mercadorias.

É o habitat do escritor frustrado e esforçado engraxate Marcel Marx (André Wilms). Apesar de entrado na meia-idade, com sua escova e graxa ele consegue seu sustento e o de sua mulher, Arletty (a atriz habitual dos filmes de Kaurismaki, Kati Outinen).

Todas as noites, Marcel volta para sua pequena casa, numa vizinhança modesta e solidária, onde tem amigos nos comerciantes locais, o quitandeiro, a padeira e a dona do café-bar. Ali mantém uma rotina simples, ao lado da mulher e da cadelinha Laika, uma homenagem à cachorrinha soviética, única tripulante do pioneiro satélite Sputnik I, em 1957.

Outras homenagens dedicam-se à França -Arletty (1898-1992) era a inesquecível atriz de clássicos como "O Boulevard do Crime" (1945) de Marcel Carné; e o célebre pintor Monet, ironicamente, empresta seu nome a um rigoroso inspetor de polícia (Jean-Pierre Darroussin).

Cuidadoso vigilante do porto contra a invasão recente de imigrantes clandestinos, o inspetor Monet fica de olho em Marcel por causa de um menino africano, Idrissa (Blondin Miguel).

Depois de viajar por horas escondido num contêiner que veio do Gabão, Idrissa perdeu-se do resto de sua família, que se dirigia a Londres. Se for pego pelo inspetor, será deportado. Mas Marcel o encontra antes.

A opção de ajudar Idrissa acarreta alguns riscos para o próprio Marcel, já que um vizinho intolerante (Jean-Pierre Léaud, "O Pornógrafo") insiste em denunciá-lo.   Continuação...