March 8, 2012 / 3:17 PM / in 5 years

ESTREIA-Mesmo autor de "Tarzan" conta história de "John Carter"

5 Min, DE LEITURA

SÃO PAULO, 8 Mar (Reuters) - Não foi por acaso que demorou mais de sete décadas para um estúdio finalmente levar aos cinemas a história de John Carter, o que acontece no longa "John Carter - Entre Dois Mundos", estreando nas versões convencional e 3D.

Publicada pela primeira vez em 1912 por Edgar Rice Burroughs, o mesmo criador de Tarzan, a fantasia relata as aventuras do personagem, um soldado do Exército Confederado Americano rebelde na década de 1860, quando misteriosamente acorda em Marte.

A primeira tentativa veio em 1931, quando o renomado diretor de animações para o estúdio Warner, Robert Clampett, quis fazer um desenho com base no primeiro livro (o mesmo da adaptação moderna).

Mas as dificuldades de realização abortaram a empreitada, que poderia ter sido o primeiro longa de animação, antes mesmo do clássico Disney "Branca de Neve e os Sete Anões", de 1937.

Por anos, ninguém se atreveu a fazer projetos similares, dada a infinidade de minúcias do enredo. Dificuldades até então aparentemente intransponíveis, apesar do sucesso da história, em particular de uma série da Marvel Comics escrita por Marv Wolfman e ilustrada por Gil Kane (1977-1979).

Com a evolução da tecnologia digital, numa era pós-"Avatar", as ambições, enfim, ganharam eco nas possibilidades de recriar o universo idealizado por Burroughs. Em 2009, saiu o filme "Princess of Mars", inédito no Brasil, mas lançado diretamente em homevideo, devido à precariedade da produção.

A espécie de maldição que pesava sobre o personagem acabou mesmo em 2010, quando o roteirista e diretor Andrew Stanton, vencedor de dois Oscars de Melhor Animação por "Wall-E" (2008) e "Procurando Nemo" (2003), iniciou as filmagens de "John Carter - Entre Dois Mundos". E, para isso se uniu a um time de colegas de calibre.

A começar pela colaboração de Michael Chabon, ganhador do prêmio Pulitzer de Literatura por seu romance "The Amazing Adventures of Kavalier and Clay", que também assina o roteiro. Tal com a adesão do desenhista de produção Nathan Crowley, indicado ao Oscar por "Batman: O Cavaleiro das Trevas", e o figurinista Mayes C. Rubeo, de "Avatar" e "Apocalypto".

São eles que transportam o espectador para a alucinante viagem de John Carter (Taylor Kitsch, o Gambit de "X-Men Origens: Wolverine"). Quando ele decide desertar do campo de batalha, em 1868, para virar garimpeiro no Oeste dos Estados Unidos, acaba por se deparar com um ser alienígena numa caverna, que o envia acidentalmente para Marte (ou Barssom, no idioma local).

Como se não bastasse ser mandado para outro planeta, habitado por criaturas tão estranhas quanto aterrorizantes, ele acaba em meio a uma guerra entre dois povos locais, em que ele será uma peça fundamental.

Explica-se: como possui uma composição orgânica diferente dos nascidos por lá, a atmosfera marciana lhe confere superpoderes, de resistência e força. O problema é que Carter desistiu da guerra -da qual guarda a lembrança da morte de sua família- e não quer se envolver com matanças alheias.

Tudo isso, no entanto, até entrar na história a princesa Dejah Thoris (Lynn Collins, de "O Mercador de Veneza"), a mocinha em busca de seu salvador.

Muito além das batalhas, há um segundo conflito que Carter deverá enfrentar. São os "therns", a princípio, seres espirituais que servem a uma deusa local, cujas intenções não ficam muito claras até o desfecho.

Não se entende também porque são onipresentes e oniscientes apenas de vez em quando, o que é conveniente apenas para tapar furos de roteiro.

Com participações especiais de atores como Willem Dafoe, Thomas Haden Church e Mark Strong (o único que aparece na forma humana), "John Carter - Entre Dois Mundos" é um épico, a começar por seu orçamento (250 milhões de dólares), irregular e muito maniqueísta.

Não seria fora de propósito esperar um pouco mais de nuances para os personagens, além de uma boa edição para enxugar as mais de duas horas de exibição. Nesse sentido, seria mais construtivo explorar a relação enigmática entre os habitantes e os tais "therns" (um deles, aliás, simplesmente some durante o desenrolar da narrativa).

Curiosamente, Edgar Rice Burroughs não confiou muito em sua história na hora de assinar a obra, escondendo-se, com medo de ser ridicularizado, sob o pseudônimo de Norman Bean. Muito diferente da Disney que, ambicionando conquistar o mercado adolescente, investiu pesadamente no filme, cujo retorno é tão imprevisível como a pretendida sequência da história.

(Por Rodrigo Zavala, do Cineweb)

* As opiniões expressas são responsabilidade do Cineweb

0 : 0
  • narrow-browser-and-phone
  • medium-browser-and-portrait-tablet
  • landscape-tablet
  • medium-wide-browser
  • wide-browser-and-larger
  • medium-browser-and-landscape-tablet
  • medium-wide-browser-and-larger
  • above-phone
  • portrait-tablet-and-above
  • above-portrait-tablet
  • landscape-tablet-and-above
  • landscape-tablet-and-medium-wide-browser
  • portrait-tablet-and-below
  • landscape-tablet-and-below