ESTREIA-"Habemus Papam" satiriza bastidores de eleição papal

quinta-feira, 15 de março de 2012 18:16 BRT
 

SÃO PAULO, 15 Mar (Reuters) - O ator e diretor italiano Nanni Moretti faz comédia inteligente ironizando religião e psicanálise em seu novo filme, "Habemus Papam", que concorreu no Festival de Cannes 2011.

O papa em questão é interpretado pelo magnífico ator francês Michel Piccoli, que dá carne, osso e uma psicologia muito especial ao personagem do cardeal Melville. Um homem que, eleito papa, entra em crise e não toma coragem de assumir o cargo.

Este instigante ponto de partida desenvolve-se em uma série de direções criativas, no roteiro assinado por Moretti, Francesco Piccolo e Federica Pontremoli. Começa pelo inusitado da situação, em que todos sabem que há um papa eleito, mas não seu nome, pois na hora em que ele deveria saudar o povo na sacada do Vaticano, entra em pânico e recua.

Como ele já aceitou o cargo, o pesado protocolo da Igreja Católica cai num impasse. O que fazer? O papa assume ou não o cargo? A imprensa de todo o mundo pressiona para saber o nome do eleito.

Entra em funcionamento o prodigioso jogo de cintura do porta-voz do Vaticano (o ator polonês Jerzy Stuhr, habituê de vários filmes de Krzysztof Kieslowski, como "A Igualdade é Branca").

Primeiro, o porta-voz chama o médico. Depois, o psicanalista (Nanni Moretti). A entrada deste estranho no ninho do Vaticano é o principal deflagrador de situações cômicas, já que o terapeuta é declaradamente ateu no meio de um imenso grupo de cardeais de vários países, votantes da eleição papal.

Enquanto o papa entra em crise existencial, pois não se julga apto para o cargo, o psicanalista e os cardeais, todos impedidos de deixar o Vaticano por causa do segredo a ser mantido a todo custo, dedicam-se a jogos diversos.

Começa pelo carteado, em que os cardeais mostram que não gostam de perder, como quaisquer pecadores. E termina por um torneio de vôlei, em que o terapeuta dividiu os times por blocos continentais, em que fica claro o peso da geopolítica, ou seja, a lei do mais forte prejudicando a América Latina, a África e a Oceania, que têm menos cardeais.

Enquanto isso, o porta-voz tenta outras estratégias, levando o papa para fora dali para ver outra terapeuta (Margherita Buy, de "O Quarto do Filho"). Desta vez, o papa parece ter ficado mais tocado pela conversa, o que o leva a fugir, para desespero do porta-voz e dos policiais que o acompanhavam.   Continuação...

 
O diretor Nanni Moretti (centro) e os atores Margherita Buy (esquerda) e Michel Piccoli posam ao chegar ao carpete vermelho para a exibição do filme "Habemus Papam", competindo no 64o Festival de Cannes, 13 de maior de 2011. REUTERS/Vincent Kessler