ESTREIA-"As Flores de Kirkuk" aborda amor em tempos de guerra

quinta-feira, 22 de março de 2012 11:51 BRT
 

SÃO PAULO, 22 Mar (Reuters) - As atrocidades cometidas nos anos 1980 pelo ex-presidente iraquiano Saddam Hussein contra a minoria curda do país, na fronteira com o Irã, tiveram grande destaque na imprensa ocidental na época por causa do uso de armas químicas contra a população civil.

Cerca de 30 anos depois, o diretor iraniano Fariborz Kamkari, de origem curda, voltou ao local para contar a história em "As Flores de Kirkuk", tendo como pano de fundo o improvável romance de um casal que se encontra no lugar errado, na hora errada, em pleno campo de batalha.

A bela atriz marroquina Morjana Alaoui interpreta Najla, uma jovem iraquiana que acaba de retornar da Itália, onde se formou em medicina.

Ela procura o namorado, Sherko (o modelo e ator turco Ertem Eser), de origem curda, também médico, que voltou ao Iraque, mas não deu mais notícias. Com a ajuda de um motorista, ela atravessa a região de Kirkuk, no norte do país, alheia ao perigo, em busca de Sherko.

Pintados pelo governo como perigosos terroristas, os curdos vivem numa zona de exclusão, em permanente tensão, pois podem ser mortos pelos soldados iraquianos a qualquer momento.

Filha de uma família tradicional, que procura manter boas relações com o regime de Saddam, Najla é muito independente para os padrões locais. Ao rever a família, durante seu trajeto, é pressionada a se casar com um oficial do Exército. Educada no Ocidente, ela preza sua liberdade e não aceita esse tipo de imposição.

Sherko, por sua vez, engajou-se na resistência curda para cuidar dos feridos. Ao ser encontrado pela namorada, ele a alerta sobre o perigo que correm por estar juntos. Ela também pode atrair a atenção dos soldados e colocar em risco a segurança dos combatentes que estão escondidos em Kirkuk e de suas famílias.

O filme é simpático aos curdos e não poderia ser diferente, mas está longe de ser um libelo à causa desse povo perseguido. Embora filmada no Iraque pós-Saddam, a produção iraquiano-ítalo-suíça envolve o enredo numa embalagem internacional que o despersonaliza bastante.

Os rebeldes são uma caricatura dos "partigiani" italianos da Segunda Guerra e os dois amantes são investidos de uma postura heroica que estão longe de possuir. Mesmo assim, o diretor acerta ao registrar o dia a dia dessas pessoas com imagens inspiradas no neorrealismo italiano.   Continuação...