Artista polêmico vê Moscou como uma Roma futurista

sexta-feira, 13 de abril de 2012 17:15 BRT
 

MOSCOU, 13 Abr (Reuters) - O artista Alexei Beliayev-Guintovt é rejeitado por muitos no mundo artístico russo pelo simbolismo fascista de seus trabalhos anteriores.

Seu novo projeto não é menos polêmico. Ele concebe Moscou como uma nova Roma: a capital de um império eurasiático, onde estrelas de estilo soviético e cúpulas em formato de cebola pontuam a paisagem.

"Represento uma utopia, um lugar não-existente (...), mas também um apelo ao irreal, ao sonho, a algo que não existe", disse Guintovt na abertura da sua exposição na Galeira Triunfo, perto da Praça Vermelha.

Ao contrário da maioria dos artistas contemporâneos, que retrata a Rússia pós-soviética como um lugar decrépito, tentando se equiparar ao Ocidente, Guintovt apresenta sua terra natal como uma nação gloriosa, no auge do seu poder e influência global. Ele diz que sua arte é um apelo para que Moscou não dê as costas ao Oriente, e abrace tanto suas raízes europeias quanto as asiáticas.

"O projeto combina as origens das maiores tradições do mundo, islã, budismo e ortodoxia, o Kremlin sendo o centro sagrado do gigantesco continente eurasiático", disse ele.

Arquiteto de formação, Guintovt cria obras que anteveem uma Moscou ultramoderna, mas equilibra seus modelos futuristas misturando-os a materiais artesanais. Suas pinturas são impressas em feltro, numa referência aos materiais usados por nômades da Ásia Central em suas iurtas.

A exposição, que leva o nome das coordenadas geográficas do Kremlin, também incorpora uma projeção de slides.

(Por Nastassia Astrasheuskaya)