ESTREIA-"American Pie: Reencontro" traz de volta personagens

quinta-feira, 19 de abril de 2012 11:39 BRT
 

SÃO PAULO, 19 Abr (Reuters) - A geração de adolescentes que viu o primeiro "American Pie", num longínquo 1999, hoje é formada por adultos, respeitáveis pais de família, funcionários exemplares, ou nada disso.

O público-alvo do filme daquela época cresceu, hoje beira a casa dos 30 anos (se já não a passaram). Há também novas gerações chegando, que nem haviam nascido há 13 anos. Assim, "American Pie: O Reencontro" vem para tentar cobrir algumas lacunas - nostálgicas ou de formação.

Desde sua concepção, "American Pie" é pensado para o público masculino, por isso, não é nenhuma novidade que as mulheres aqui não passem de estereótipos ambulantes -embora os homens do filme também não fujam muito disso- e praticamente não têm voz. Os protagonistas continuam os mesmos, transformando-se em sua versão adulta -exceto Stifler (Seann William Scott), que jamais envelhecerá, no mau sentido.

Jim (Jason Biggs) continua casado com Michelle (Alyson Hannigan). Os dois têm um filho, mas não mais aquela energia sexual dos outros filmes. Oz (Chris Klein) apresenta um programa de esportes na televisão e namora uma bonitona. Kevin (Thomas Ian Nicholas) é casado com uma mulher viciada em reality shows.

Personagens do primeiro filme retornam, como Vicky (Tara Reid), por quem Kevin era apaixonado, e Heather (Mena Suvari), o primeiro amor de Oz. A nostalgia é o clima que domina os personagens e a história - que revisitam os seus passados, constatando o quanto mudaram. Mas, no fundo, como acredita o "Peter Pan" Stifler, amadurecer e envelhecer são apenas uma ilusão.

As questões familiares também não mudam. Aquele personagem sem nome, conhecido apenas como o Pai de Jim (Eugene Levy), ainda continua preocupado em dar conselhos sobre sexo. Enquanto a Mãe de Stifler (Jennifer Coolidge) ainda desperta o desejo sexual de alguns colegas do rapaz, fazendo vista grossa para as infantilidades do filho. É curioso que as figuras parentais não tenham nomes próprios. Na série de filmes são vistas pela função que exercem - embora, claro, fujam do convencional.

Desde sua estreia, "American Pie" foi copiado à exaustão - desde o tom escrachado das comédias "Se Beber Não Case" até beirar o plágio, com "Sex Drive - Rumo ao Sexo". Claro que "American Pie" não inventou nada. Nos anos de 1980 "Porky's" ia até mais longe. Mas "American Pie" foi o primeiro da era do politicamente correto, ou talvez o que melhor soube estourar seus limites.

Em seu primeiro filme -os outros não conseguiram ser tão originais- a série combinou o humor que beirava a escatologia (alguém se lembra da finalidade da torta do título?) com um retrato de geração um tanto cruel e cínico, mas carinhoso.

(Por Alysson Oliveira, do Cineweb)

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