Bienal de Berlim vira vitrine da arte contemporânea política

quinta-feira, 19 de abril de 2012 16:41 BRT
 

Por Sarah Marsh

BERLIM (Reuters) - Centenas de bétulas do maior campo de concentração nazista, o de Auschwitz-Birkenau, na Polônia, foram colocadas ao redor de Berlim como um memorial vivo desse capítulo sombrio do passado alemão.

As árvores, chamadas de Birke na Alemanha, emprestaram seu nome ao campo Birkenau, onde até 1,5 milhão de pessoas, na maioria judeus, morreram entre 1940 e 1945.

A instalação "Berlin-Birkenau", do artista polonês Lukasz Surowiec, de 26 anos, integra a Bienal de Berlim, um festival de arte contemporânea devotado este ano à arte política.

"Esta é uma tentativa de criar um novo tipo de monumento - um monumento vivo", disse Surowiec, que colocou placas comemorativas na frente das árvores. “Com a ajuda da natureza, eu tento continuar uma missão geracional de aprofundamento da memória das vítimas do Holocausto."

"Meu projeto é efetivamente baseado em devolver a 'herança' aos seus proprietários."

O diretor da bienal, o também polonês Artur Zmijewski, disse que parece paradoxal a seus compatriotas que o lugar onde os alemães cometeram um dos piores crimes contra a humanidade não seja na Alemanha, mas na Polônia.

A instalação, uma das várias da bienal que não está confinada a uma galeria ou a um museu, é portanto sobre a "política da história", disse ele.

O Holocausto e os territórios palestinos são temas fortes na bienal deste ano, que é dirigida pelo centro de arte contemporânea KW na antiga Berlim Oriental, mas se espalha pela cidade inteira.

A Bienal de Berlim foi criada em 1998, inspirada pela Bienal de Veneza, e visa expor jovens artistas ainda não muito bem estabelecidos e proporcionar um fórum para a experimentação.

A sétima edição do evento abre oficialmente no dia 27 de abril e segue até 1o de julho, mas muitos projetos, como o de Surowiec, já estão acontecendo. Zmijewski, de 45 anos, disse que quer que a "exposição se torne um espaço político que se pareça mais com um parlamento do que com um museu".