Filme de Cannes retrata solidão do turismo sexual

sexta-feira, 18 de maio de 2012 20:36 BRT
 

Por Alexandria Sage

CANNES, França, 18 Mai (Reuters) - Quem explora e quem é explorado na indústria do turismo sexual é a questão que aparece no filme "Paradies: Liebe" (Paraíso: Amor), do diretor Ulrich Seidl, um retrato forte e inquietante sobre a solidão feminina e o desequilíbrio econômico na África.

O longa falado em alemão está em competição no festival de Cannes e teve sua estreia mundial na sexta-feira.

O diretor austríaco escolheu como tema as mulheres brancas europeias na faixa dos 50 anos que passam férias no Quênia onde conhecem os chamados "Beach Boys", homens jovens que viram seus amantes.

Decepcionadas por relacionamentos antigos em seu país e longe de seu auge físico, as mulheres buscam satisfação sexual e a sensação de serem amadas.

Os homens, com poucas perspectivas de trabalho além da opção de vender bugigangas na praia, esperam em troca dinheiro, presentes ou até mesmo a promessa de uma vida melhor na Europa.

As mulheres sonham em encontrar alguém que as aceitem como são e seus amantes sonham em progredir. O conflito de intenções permite que o filme trace uma imagem desoladora sobre a capacidade das pessoas de se comunicar.

"Hakuna matata" ou "sem problema" pode ser a frase que os beach boys gostam de repetir, mas a relação de senhor e escravo cria uma atmosfera tensa na praia paradisíaca.

Uma forma de colonialismo está viva ali, à medida que os jovens homens negros tentam agradar e serem pagos.   Continuação...

 
A atriz Margarethe Tiesl e o diretor Ulrich Seidl, do filme "Paradies: Liebe" (Paraíso: Amor), posam para foto durante o Festival de Cannes, na França, nesta sexta-feira. 18/05/2012 REUTERS/Vincent Kessler