Filme com Pitt em Cannes retrata fim do sonho americano

terça-feira, 22 de maio de 2012 12:06 BRT
 

Por Mike Collett-White

CANNES, França, 22 Mai (Reuters) - "Killing Them Softly", novo filme estrelado por Brad Pitt, faz um retrato sombrio do sonho americano, misturando uma divertida e violenta história de mafiosos com uma crítica escancarada à incapacidade dos políticos em resolver a crise econômica.

O filme se passa em uma cidade norte-americana não-identificada, onde a crise econômica chegou com força. Há casas abandonadas, lojas fechadas e bandidos de todos os níveis tentando sobreviver.

Pitt é também coprodutor da obra, selecionada para a competição oficial do atual Festival de Cannes, onde será exibido na terça-feira.

O ator interpreta o inclemente pistoleiro Jackie Cogan, chamado por uma quadrilha mafiosa para eliminar um grupo de bandidos que assaltou uma mesa de pôquer. O título ("matando-os suavemente") se refere à insistência do personagem em evitar dores e sofrimentos desnecessários na hora das matanças.

A direção é de Andrew Dominik, neozelandês com quem Pitt já trabalhara em "O Assassinato de Jesse James Pelo Covarde Robert Ford". Ray Liotta e James Gandolfini, habitués em filmes sobre a máfia, também estão no elenco.

A mensagem política do filme é inescapável. Sempre há noticiários sendo vistos ou ouvidos em bares e carros, e o debate invariavelmente é sobre a crise financeira, o fracasso político, a ganância e o fim dos sonhos.

Barack Obama, John McCain e George W. Bush aparecem na campanha eleitoral de 2008 fazendo promessas de resgatar a economia e salvar os ideais que alicerçam a nação.

Já no final, Cogan dispara críticas a Thomas Jefferson, principal autor da Declaração de Independência dos EUA, a quem o personagem chama de mentiroso e hipócrita. ""Vivo na América e na América você está por sua conta", declara Cogan. "A América não é um país, é só um negócio."   Continuação...

 
Brad Pitt, integrante do elenco do filme “Killing Them Softly”, vai à sessão de fotos no Festival de Cinema de Cannes. 22/05/2012 REUTERS/Yves Herman