No jubileu da rainha, britânicos discutem futuro pós-Elizabeth 2a

sexta-feira, 1 de junho de 2012 10:51 BRT
 

Por Michael Holden

LONDRES, 1 Jun (Reuters) - Quando os britânicos entoarem o hino nacional "Deus Salve a Rainha", durante os quatro dias de celebrações do 60o aniversário do reinado de Elizabeth 2a, os monarquistas podem ter motivos para gritarem com força o verso "que reine longamente sobre nós".

As pesquisas mostram que a rainha, de 86 anos, continua sendo enormemente popular entre os britânicos, mas há dúvidas sobre o futuro da monarquia quando seu filho, o príncipe Charles, que já tem 63 anos, se tornar rei.

Republicanos e até alguns monarquistas convictos dizem que o futuro será um desafio real --em todos os sentidos-- para uma instituição que depende do carisma do seu titular para continuar relevante no mundo moderno.

"A monarquia só é tão boa quanto as pessoas que estão fazendo o trabalho", disse o biógrafo real Robert Lacey. "Os britânicos já cortaram a cabeça do seu rei, os britânicos já viveram como República durante 11 anos, sob Oliver Cromwell. Poderíamos fazer isso de novo."

Elizabeth se tornou rainha aos 25 anos, em 6 de fevereiro de 1952, com a morte do seu pai, George 6o. Winston Churchill era o primeiro-ministro na época.

Ela herdou a coroa de um rei extremamente popular, cuja reputação como cumpridor dos seus deveres ajudou a família real a superar o escândalo decorrente da abdicação de Edward 8o, que preferiu se casar com uma plebeia norte-americana. Ao longo da 2a Guerra Mundial, o pai da atual rainha se tornou uma figura querida por praticamente todos os estratos da sociedade.

Nestes 60 anos, a Grã-Bretanha passou por mudanças dramáticas e se tornou uma sociedade mais igualitária, na qual frequentar lugares como Oxford e Cambridge não é mais privilégio da aristocracia. A maioria dos nobres hereditários perdeu suas cadeiras na Câmara dos Lordes.

Mas nem tudo foram flores no atual reinado. Elizabeth 2a foi a monarca que dissolveu o império britânico, da independência do Quênia à entrega de Hong Kong à China, embora ela continue oficialmente sendo a chefe de Estado de 16 países e presida a Commonweatlh (Comunidade Britânica).   Continuação...