ESTREIA-Filme retrata cantora e artista plástica Violeta Parra

quarta-feira, 6 de junho de 2012 18:49 BRT
 

SÃO PAULO, 6 Jun (Reuters) - Em 1964, o jornal francês "Le Figaro" escreveu: "Leonardo Da Vinci terminou no Louvre. Violeta Parra começa nele". Um comentário sobre a artista chilena que ignora, no entanto, a vida pregressa dela, antes de expor no museu francês, quando já cantava, compunha e fazia artes plásticas.

A frase do periódico reflete a visão de cima para baixo do países ricos sobre os pobres e, ao mesmo tempo, coloca a artista chilena num merecido alto patamar.

"Violeta Foi Para o Céu", um filme sensível e muito bem filmado, do chileno Andrés Wood, encontra o equilíbrio entre a Violeta segundo a visão europeia e a Violeta chilena, que se interessava por cantigas das pessoas simples do interior de seu país e que, mais tarde, se tornou famosa no mundo todo - inclusive no Brasil, com gravações feitas por Elis Regina e Milton Nascimento.

Ganhador de diversos prêmios, entre eles o de melhor filme do cinema mundial no Festival de Sundance 2012, "Violeta Foi Para o Céu" recupera a figura de uma das personalidades mais instigantes e importantes da América Latina.

Poderia ser mais uma história de artista apaixonada e destruída, mas Wood sabe como trazer à tona as dores e artes de Violeta Parra, que encontrou na atriz Francisca Gavilán a sensibilidade necessária para uma investigação da alma feminina.

Francisca Gavilán se transfigura no papel de Violeta Parra, acompanhando algumas décadas na vida da artista. Sua transformação física a aproxima da personagem real, com maquiagem, figurinos e afins, mas é a compreensão do lado emocional que a atriz demonstra ter da artista que injeta densidade em sua bela interpretação.

A própria Francisca canta com garra as músicas como se fossem dela mesma.

Baseado no livro de memórias homônimo do filho da artista, Ángel Parra, o longa é um delírio de morte, da Violeta que agoniza pouco depois de atirar em si mesma, no dia do seu 50o aniversário, em 1967.

O que ela vê em sua mente, e que dá estrutura ao filme, são flashes de sua vida, momentos marcantes, como a morte do pai, a apresentação itinerante de autos religiosos com a irmã, a apresentação na Polônia comunista, um conturbado romance com o músico suíço Gilbert Favre (Thomas Durand); e os últimos dias no seu centro de artes nos Andes.   Continuação...