Salafistas tunisianos protestam contra exposição "insultante"

terça-feira, 12 de junho de 2012 21:17 BRT
 

Por Tarek Amara e Lin Noueihed

TÚNIS, 12 Jun (Reuters) - Milhares de muçulmanos salafistas promoveram distúrbios em Túnis nesta terça-feira, num protesto contra uma exposição artística que eles consideraram ofensiva ao Islã, aumentando as tensões religiosas no berço dos protestos da Primavera Árabe que se espalharam por outros países do Norte da África e Oriente Médio.

Os manifestantes atiraram pedras e coquetéis molotov contra delegacias, tribunais e diretórios de partidos laicos, num dos mais graves incidentes no país desde a rebelião popular que depôs o presidente Zine al-Abidine Ben Ali, no ano passado.

Os salafistas, que seguem uma interpretação puritana do islamismo, bloquearam ruas e queimaram pneus durante a madrugada nos bairros proletários de Ettadamen e Sidi Hussein.

Pela manhã, os distúrbios haviam se espalhado para vários bairros residenciais da capital e para outras cidades. Jovens munidos de pedras paralisaram o tráfego de bondes no bairro de Intilaqa, onde os manifestantes entraram em mesquitas e usaram os alto-falantes para convocar os tunisianos na defesa do Islã.

À noite, cerca de 2.500 salafistas continuavam confrontando a polícia na área, segundo uma fonte do Ministério do Interior, que acrescentou que 162 pessoas foram detidas e que 65 membros das forças de segurança ficaram feridos.

O governo impôs um toque de recolher na capital e em sete outras áreas do país, e o ministro do Interior, Ali Larayedh, disse que os distúrbios devem continuar nos próximos dias, sobrecarregando as forças de segurança.

Na segunda-feira, uma exposição chamada Primavera das Artes, no sofisticado subúrbio de La Marsa, causou indignação de alguns tunisianos que a viram como um insulto à sua religião. A obra mais polêmica mostrava o nome de Deus escrito com insetos.

"Esses artistas estão atacando o Islã, e isso não é novidade. O Islã é alvo", disse um jovem, que se identificou como Ali e que havia tirado a camisa preparando-se para enfrentar a polícia em Ettadamen. "O que jogou lenha na fogueira foi o silêncio do governo", acrescentou Ali, que negou ser salafista.

O governo é comandado por grupos islâmicos. As autoridades criticaram as obras vistas como insultantes e provocadoras, mas disseram que a exposição não pode servir de pretexto para um surto de violência que parecia ser planejado e coordenado e que pode afetar a recuperação econômica no início da alta temporada do turismo e das colheitas agrícolas.

(Reportagem adicional de Mohammed Argouby)