ESTREIA-Em "Prometheus", Ridley Scott volta a confronto com alienígenas

quinta-feira, 14 de junho de 2012 17:55 BRT
 

SÃO PAULO, 14 Jun (Reuters) - Se o cinema estiver certo, em 2093, os cientistas ainda não terão conseguido provar a existência do bóson de Higgs, uma partícula misteriosa, supostamente decisiva para a criação da vida. Notícias recentes dão conta de que pesquisadores estão próximos de comprovar sua existência. Mas em "Prometheus", novo no filme de Ridley Scott, os seres humanos terão de ir até outro planeta para descobrir a origem da vida na Terra.

É nessa ficção científica que, mais de três décadas depois, o diretor inglês volta ao universo de "Alien - O Oitavo Passageiro" (1979) e investiga a hipótese de não estarmos sozinhos no universo.

Uma nave viaja até uma galáxia longínqua onde, espera-se, a tripulação irá encontrar aquilo que chamam de Os Engenheiros -ou seja, os seres que criaram a vida humana.

A cientista Elizabeth Shaw (Noomi Rapace, da versão sueca de "Os Homens que Não Amavam as Mulheres") acredita firmemente nisto, baseada na repetição de pinturas rupestres em vários pontos da Terra, ainda que nem por isso ela deixe de acreditar em Deus e não se separe de seu crucifixo.

O que ela e sua equipe -que inclui, entre outros, seu marido também cientista, Charlie Holloway (Logan Marshall-Green), uma figura maquiavélica organizadora da expedição, Vickers (Charlize Theron), e o androide David (Michael Fassbender, de "Shame") - encontram é uma imensa e misteriosa caverna, aparentemente vazia, mas ocultando muitos perigos.

Durante toda sua primeira e melhor metade, o longa é uma meditação sobre a existência humana, sobre sua origem e futuro, se eram os deuses astronautas e outras questões que sempre intrigaram a humanidade.

Nessa primeira metade, Scott encontra o tom e ritmo certos, criando suspense e tensão, além de imagens poderosas que indicam um caminho que o filme, afinal, não vai percorrer.

Poderia ser algo mais filosófico -ainda que não como "A Árvore da Vida", de Terrence Malick- e, principalmente, poderia evitar sua transformação numa espécie de trash com pedigree, recorrendo a violência e muita gosma.

O roteiro, assinado por Jon Spaihts e Damon Lindelof (um dos roteiristas de "Lost"), não consegue conciliar bem a transição entre as duas partes do filme -o pré e o pós-contato com os seres. Os clichês do gênero vão se revelando aos poucos, o que resulta numa conclusão um tanto frustrante. Há bons momentos, especialmente quando há um subtexto político em "Prometheus" a respeito da construção e utilização de armas de destruição em massa, mas a correria gosmenta afinal predomina.   Continuação...

 
O produtor britânico Ridley Scott (esquerda) e sua parceira Giannina Facio posam para fotógrafos na estreia mundial de "Prometheus" na Praça Leicester em Londres, 31 de maio de 2012. REUTERS/Paul Hackett