June 20, 2012 / 4:33 PM / 5 years ago

Polícia chinesa pede a artista para evitar audiência da empresa

3 Min, DE LEITURA

Por Sui-Lee Wee

PEQUIM, 20 Jun (Reuters) - O artista dissidente chinês Ai Weiwei disse nesta quarta-feira que a polícia o havia advertido a ficar longe de uma audiência judicial sobre o processo de sua empresa envolvendo uma pena de 15 milhões de iuans (2,4 milhões de dólares) por sonegação de impostos.

A Corte Distrital Chaoyang, em Pequim, concordou no mês passado em ouvir o caso apresentado pela empresa que comercializa os trabalhos de Ai, uma mudança em relação à recusa consistente dos tribunais, rigorosamente controlados pelo Partido Comunista, para dar aos dissidentes qualquer audiência.

Seus partidários afirmam que o caso foi forjado como parte de uma tentativa de amordaçar o crítico social. A audiência ainda estava em progresso tarde da noite.

Ai disse que, apesar de os tribunais aceitarem seu processo, a polícia o alertou para não comparecer à audiência, e enviou várias viaturas para estacionar fora do estúdio onde ele mora.

"Você nunca vai chegar lá. Nem tente", contou Ai, 55, sobre o que a polícia tinha dito a ele, sem dar uma razão.

"Esta nação pode ter qualquer coisa, eles podem ter um satélite que vai para o céu e a lua, mas eles nunca podem dar-lhe uma razão clara sobre o porquê", disse ele. "Isso é ridículo, certo? Não há nenhuma conversa, nenhuma discussão. Talvez eles nem sequer saibam a razão. É uma nação realmente misteriosa."

O artista barbudo tem sido uma irritação persistente para autoridades e tem ignorado os esforços para silenciá-lo, comunicando-se com os seus fãs pelo Twitter e convocando um fórum público para discutir o seu caso fiscal.

Ai foi detido sem acusações em abril de 2011 e mantido, principalmente, em confinamento solitário até sua liberdade condicional no ano passado.

Ai ficou longe da audiência, mas disse que sua esposa Lu Qing, que também é representante legal da empresa, tinha assistido.

O consultor jurídico de Ai, Liu Xiaoyuan, estava incomunicável depois que foi ordenado a se reunir com oficiais de segurança do Estado na terça-feira, de acordo com Ai e Liu Yanping, um funcionário do estúdio de Ai.

Liu Xiaoyuan não respondeu as chamadas para seu telefone celular.

Agentes de segurança instruíram dissidentes proeminentes a permanecer em suas casas e ficar longe da audiência.

Dezenas de policiais e carros impediam jornalistas de se aproximar do tribunal, dizendo que não tinham permissão para estar lá.

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