ESTREIA-"E aí... Comeu?" traz à tela conversa masculina

quinta-feira, 21 de junho de 2012 13:26 BRT
 

SÃO PAULO, 21 Jun (Reuters) - O que os homens falam quando o assunto é mulher? A comédia "E aí... Comeu?" parte desse princípio, acreditando que todo mundo tem curiosidade em saber o que é dito numa mesa de um bar quando nenhuma mulher está ouvindo.

Dirigido por Felipe Joffily ("Muita Calma Nessa Hora"), o longa pode ser chamado de uma espécie de "Sex and the City" tupiniquim na versão masculina. Os protagonistas são um trio de amigos: Fernando (Bruno Mazzeo, de "Cilada.com"), Honório (Marcos Palmeira) e Fonsinho (Emilio Orciollo Netto).

Bem estereotipados, os três personagens são possibilidades cômicas a partir dos seus perfis: Fernando acabou de separar-se de sua mulher (Tainá Müller) e leva cantadas da vizinha adolescente (Laura Neiva), que se insinua para ele na piscina. Já Honório suspeita que sua mulher independente, Leila (Dira Paes), tem um amante. Fonsinho é mulherengo, amante de uma prostituta (Juliana Schalch), mas gosta mesmo de sair com mulheres casadas.

O roteiro baseia-se na peça homônima (que também foi montada como "Da Boca pra Fora"), de 1998, escrita por Marcelo Rubens Paiva, que divide os créditos da adaptação com Lusa Silvestre. As conversas do bar são francas e conseguem certo timing de comédia. Por outro lado, as cenas entre elas mostram-se irregulares e previsíveis.

As personagens femininas não fogem muito do padrão estereotipado de seus companheiros. Praticamente todos os clichês já usados por humorísticos televisivos repetem-se aqui - exceto a santa, o que sobra fica entre a prostituta, a que tem fixação por sapatos e a mulher infiel. Apenas Dira Paes consegue injetar um pouco de humanismo em Leila, a mulher casada que procura diversão fora de casa e é completamente apaixonada pelo marido - só que ele, neurótico como é, não consegue perceber.

"E aí... Comeu?" é, no fundo, uma comédia melancólica sobre o amadurecimento - que, muitas vezes, só vem com a dura experiência. Quando o filme não tenta forçar o humor, até tem o que dizer, especialmente sobre os relacionamentos humanos. Mas esses momentos são um tanto raros.

(Por Alysson Oliveira, do Cineweb)

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