26 de Junho de 2012 / às 19:59 / em 5 anos

Tribo venezuelana furiosa com pedra "sagrada" em Berlim

BERLIM, 26 Jun (Reuters) - As esculturas de Wolfgang von Schwarzenfeld em um parque de Berlim foram feitas para promover a paz mundial, mas o alemão de 79 anos agora se encontra em guerra com uma tribo venezuelana, que o acusa de roubar uma pedra rosa sagrada conhecida como “Avó”.

O governo venezuelano defende os índios Pemon da região “Gran Sabana”, exigindo a devolução da pedra polida do parque Tiergarten de Berlim - colocando o governo alemão em uma espécie de dilema.

Com Caracas chamando de roubo, e o escultor argumentando que a pedra foi um presente legal, o monolito está emitindo mais energia negativa do que seus fãs esotéricos em Berlim estão acostumados.

Sem consciência do cabo-de-guerra diplomático, Robert, um jardineiro berlinense, salta de sua bicicleta para acender incensos entre as pedras de cinco continentes, que formam o “Projeto Pedra Global”, esperando amigos para um ritual de xamanismo ao entardecer.

Mas os turistas venezuelanos recém-chegados Grecia Melendez e Juan Carlos Brozoski sabiam tudo sobre a guerra da pedra e suspeitavam que houvesse motivos políticos por trás dos protestos.

“(O presidente Hugo) Chávez quer sempre um conflito com alguém”, disse Melendez, de 32 anos, tirando fotografias da pedra de 12 metros cúbicos, que foi entalhada com a palavra “amor” em várias línguas - e pichações com nomes de casais e corações.

Von Schwarzenfeld, uma figura frágil com cabelos brancos ralos e sapatos gastos marrom, mostrou um feixe de documentos autorizando a retirada da pedra do Parque Nacional Canaima em 1998.

Como com todas as pedras organizadas em um círculo em Berlim, uma pedra “irmã” permanecia atrás. A cada solstício de verão, suas superfícies polidas refletem o sol “como um símbolo de uma humanidade unida, esperançosamente um dia em paz”, ele disse.

O projeto foi inaugurado em 1999 perto dos monumentos berlinenses da Praça Potsdamer e do Portão de Brandemburgo. Enquanto crianças brincavam entre as pedras, Von Schwarzenfeld desafiava o presidente venezuelano a pegar de volta o que ele chamou de “um presente a Berlim” do ex-presidente Rafael Caldera.

“A paz para mim não significa a ausência do conflito”, disse o artista, sem se deixar desanimar por ameaças e o que ele também suspeita serem “motivações políticas” por trás da briga pela pedra.

O ministro da Cultura venezuelano, Pedro Calzadilla, disse à televisão estatal que a doação era “ilegítima” porque a pedra era parte “do patrimônio cultural da comunidade (Pemon)”. Promotores estão investigando a remoção da pedra porque “quem autorizou a retirada da Avó cometeu um crime”, ele disse.

Depois que membros da tribo Pemon protestaram diante da embaixada da Alemanha na semana passada com lanças, cocares e cartazes dizendo “o povo Pemon quer nossa sábia avó de volta”, o enviado alemão prometeu comunicar o que eles diziam a Berlim, ao mesmo tempo em que os avisava de que não seria uma tarefa fácil recuperar a pedra.

O porta-voz do ministério das Relações Exteriores da Alemanha, Andreas Peschke, disse que Berlim queria uma solução “aceita por todos os lados - Venezuela, os grupos indígenas, o artista e a cidade de Berlim”.

Reportagem de Stephen Brown e Reuters TV

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