2 de Julho de 2012 / às 16:55 / 5 anos atrás

Diretor do balé de Mônaco vai ensinar bailarinos do Bolshoi

Por Nastassia Astrasheuskaya

MOSCOU (Reuters) - O Teatro Bolshoi da Rússia convidou o coreógrafo moderno e diretor artístico do Les Ballets de Monte Carlo para ensinar os dançarinos mais conservadores de Moscou a se soltar no palco.

Nascido na França, Jean-Christophe Maillot, 52 anos, liderou a companhia de Monte Carlo por quase 20 anos e durante essas duas décadas nunca criou um balé para uma companhia de fora, até agora.

O balé dramático, cujo título ainda não foi anunciado, deve estrear na principal casa de balé e ópera de Moscou na próxima temporada, a número 237 do Bolshoi.

“Nos últimos 20 anos, eu nunca montei uma única apresentação em uma trupe que não fosse a minha. Mas não foi porque eu não quis, foi porque para fazer um balé eu preciso ter uma forte relação com as dançarinas que trabalho”, disse Maillot.

“No que se refere ao Bolshoi, eu realmente quero fazê-lo. Será uma experiência única para mim, mas espero também ensinar algo aos bailarinos do Bolshoi.”

Os bailarinos russos, tradicionalmente criados em obras como “O Lago dos Cisnes” e“Giselle”, só recentemente começaram a engajar-se em dança moderna nas academias de coreografia e teatros.

Os integrantes do Bolshoi que tentaram técnicas mais livres e mais modernas recentemente disseram que se sentiram estranhos, enquanto os coreógrafos que já trabalharam com bailarinos locais na Rússia descobriram que a “precisão” dos movimentos muitas vezes atrapalhou.

O anúncio foi feito durante uma entrevista coletiva recente no Bolshoi, onde Maillot apresentou sua criação de quatro pessoas, fortemente erótica, “Daphnis e Chloe”, que vai além do repertório clássico do balé russo.

O Bolshoi reforçou o seu compromisso com a dança contemporânea no ano passado com a nomeação de Sergei Filin, ex-dançarino da segunda maior companhia de balé de Moscou, Stanislavsky Nemirovitch-Dantchenko, que foi o primeiro a convidar coreógrafos modernos do exterior há vários anos.

Demorou três anos para Filin convencer Maillot, cujo grupo já se apresentou no Bolshoi várias vezes antes, a vir trabalhar com bailarinos russos.

”Eu venho convidando Jean-Christophe há três anos. Toda vez que ele trouxe seu balé aqui eu ficava dizendo“, disse. ”Vamos fazer algo novo, vamos fazer algo que você nunca fez.“ Desta vez eu disse a ele que estava na hora, antes do momento passar”, disse Filin.

Uma das razões por que Maillot estava ansioso para trabalhar com bailarinos russos era o desafio de ensiná-los a serem um pouco menos sérios no palco.

“O desafio de trabalhar com bailarinos muito acadêmicos é que eles não entendem a sutileza de agir, eles tornam isso muito acadêmico”, disse Maillot à Reuters em uma entrevista.

“Acho que para um grupo com esses bons conhecimentos técnicos é muito mais fácil fazer uma dança que se destaca por seu radicalismo em vez de sua leveza”, acrescentou.

Para ele, a coreografia só era bem-sucedida quando desaparecia da dança, deixando as personalidades se expressarem, algo que os bailarinos russos ainda têm de dominar.

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