10 de Julho de 2012 / às 20:09 / 5 anos atrás

TV francesa é advertida por imagens de atirador de Toulouse

Por Nicholas Vinocur

PARIS, 10 Jul (Reuters) - Uma importante rede francesa de TV foi advertida na segunda-feira por ter exibido uma gravação com a última conversa entre o atirador Mohamed Merah e negociadores policiais, horas antes de ser morto em um tiroteio com a polícia na cidade de Toulouse, em março.

A aparição dessa gravação, na qual Merah zomba da polícia e diz amar mais a morte que a vida, reabriu as feridas deixadas pelos crimes cometidos por esse francês de 23 anos, admirador da Al Qaeda.

O Conselho Superior do Audiovisual (CSA) convocou várias emissoras de rádio e TV que transmitiram a gravação, mas só a rede TF1 foi advertida, por ter exibido as imagens em primeiro lugar, e sem um alerta claro sobre sua natureza potencialmente chocante.

"Fiquei chocado pela decisão de exibir (as gravações) quando pensei nas famílias das vítimas, nos que ficaram feridos ou que foram de outra maneira afetados por esses fatos", disse Michel Boyon, presidente do CSA, em entrevista coletiva.

A reprimenda não inclui uma multa, mas obriga o canal a rever suas práticas no trato com materiais delicados. Em caso de outra violação, a TF1 pode ser multada.

Merah cometeu o pior ataque de um militante islâmico na França em 17 anos. Agindo ao longo de vários dias na cidade de Toulouse (sul) e arredores, ele matou três soldados, três crianças judias e um rabino. Depois, ao ser descoberta a sua identidade, ele passou mais de 24 horas sob cerco policial no seu apartamento, de onde saiu morto.

Na época, houve suspeitas de que os policiais mataram-no propositalmente. Mas trechos das novas gravações, disponíveis em vários sites, sugerem que Merah estava totalmente no controle das suas ações.

Em voz clara e firme, com o sotaque característico de Toulouse, Merah diz aos negociadores que não teme a morte e que está pronto para enfrentar uma nova tentativa de invasão policial, depois de rechaçar o primeiro ataque ao seu apartamento.

"Sei que vocês podem me alvejar, é um risco que estou correndo", diz ele. Sobre a morte na escola judaica Ozar Hatorah, ele disse: "Subi na lambreta e só parei lá, não foi premeditado, bom, foi sim, eu quis fazer isso, mas naquela manhã quando eu acordei não era o meu objetivo".

Imagens dos ataques de Merah, gravados por ele com uma câmera presa ao peito, foram enviadas à TV Al Jazeera, mas nunca foram exibidas.

Boyon disse que a TF1 errou ao não sinalizar o material delicado nem colocá-lo em contexto, e também por violar o sigilo nas investigações sobre a suspeita de que Merah teria tido cúmplices.

Houve também um alerta a outros canais para não transmitirem o vídeo. "No caso do sr. Merah, não sabemos realmente o que pode estar circulando", disse Boyon. "Isso é para lembrar os diretores das emissoras de TV de que eles têm responsabilidades."

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