Banda russa vai a julgamento por protesto dentro de catedral
Por Alissa de Carbonnel
MOSCOU, 30 Jul (Reuters) - Três mulheres que protestaram contra o presidente russo, Vladimir Putin, em uma "oração punk" no altar da principal catedral da Rússia foram a julgamento nesta segunda-feira, em um caso considerado um teste para ver como o líder tratará os dissidentes em seu novo mandato presidencial.
As mulheres da banda "Pussy Riot" poderão pegar até 7 anos de cadeia por uma performance não autorizada em fevereiro, quando entraram na Catedral de Cristo Salvador, de Moscou, subiram no altar e pediram que a Virgem Maria "derrubasse Putin".
Maria Alyokhina, de 24 anos, Nadezhda Tolokonnikova, de 22, e Yekaterina Samutsevich, de 29, foram levadas à corte de Khamovniki, de Moscou, para o julgamento de maior notoriedade da Rússia desde que o ex-magnata do petróleo Mikhail Khodorkovsky foi condenado pela segunda vez em 2010, no mesmo tribunal.
Os simpatizantes cantavam "Meninas, estamos com vocês!" e "Vitória!", enquanto as mulheres eram levadas da van da polícia ao tribunal algemadas, com as mãos atadas a uma policial.
"Não queríamos ofender ninguém", disse Tolokonnikova, sentada na mesma gaiola de metal e plástico transparente na corte em que Khodorkovsky se sentou com seu parceiro comercial durante o julgamento deles.
"Nossos motivos foram exclusivamente políticos."
A ação foi destinada a colocar em evidência o relacionamento estreito entre a Igreja Ortodoxa russa e Putin, ex-membro da KGB, que na época era primeiro-ministro e cuja campanha para voltar à presidência teve apoio claro do líder da igreja, o patriarca Kirill.
O protesto ofendeu muitos fiéis e irritou a liderança da igreja ortodoxa. Desfrutando de um forte revival depois do fim da União Soviética em 1991, a igreja busca exercer maior influência na vida secular e classificou a performance como parte de uma campanha sinistra movida por "forças antirrussas".
Indiciadas por vandalismo motivado por ódio religioso ou hostilidade, as mulheres disseram repetidas vezes que não quiseram ofender ninguém.
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