31 de Julho de 2012 / às 16:18 / 5 anos atrás

Astro de Bollywood aborda questões sensíveis em talk show

Ator Aamir Khan vai a coletiva de imprensa durante 61o Festival Internacional de Cinema de Berlim, em fevereiro de 2011. Khan tem usado um talk show em horário nobre para enfrentar questões sociais que a maioria dos indianos não está acostumada a falar. 10/02/2011Christian Charisius

Por Shilpa Jamkhandikar

MUMBAI (Reuters) - Durante a última década Aamir Khan salvou os moradores de um imposto opressivo, liderou um movimento contra a corrupção, educou os pais sobre dificuldades de aprendizagem e combateu o falho sistema de educação da Índia.

Mas isso era tudo no cinema.

Khan, um dos maiores astro de Bollywood, está assumindo agora os desafios da vida real.

Em um país onde a televisão é preenchida com sogras conspiradoras, noivas tímidas e montanhas de melodrama, Khan tem usado um talk show em horário nobre para enfrentar questões sociais que a maioria dos indianos não está acostumada a falar.

Desde o estigma que persegue milhões de indianos da antiga casta "intocável", muitos dos quais são obrigados a aceitar empregos subalternos, ao abuso sexual de crianças, o programa de Khan tem movimentado críticas.

Durante as últimas 13 semanas, Khan, de 47 anos, tem produzido e apresentado "Satyamev Jayate" (a verdade sempre prevalece), que chamou a atenção de alguns dos políticos mais poderosos da Índia, mas também atraiu críticas de sensacionalismo com questões sensíveis.

Depois de um show voltado para a prática ilegal de limpeza manual das ruas, Khan encontrou o primeiro-ministro, Manmohan Singh, para discutir como o governo poderia impedir a prática degradante.

Calcula-se que mais de 1 milhão de indianos estejam envolvidos na limpeza manual, que os faz remover excrementos animais ou humanos usando vassouras, pratos de estanho e cestas a partir de latrinas secas e transportando para descarte.

Depois de mais um show, o ministro-chefe do Estado norte de Rajastão prometeu um tribunal especial para acelerar julgamentos ligados ao feticídio feminino, uma prática ilegal, mas generalizada.

"Eu não acho que eu me considere um bom samaritano", disse Khan à Reuters em uma entrevista na sexta-feira passada.

"Eu tentei usar o meu conjunto de habilidades para a melhor das minhas habilidades. Atingir as pessoas e contar histórias a elas, tocando o coração, que é onde está meu conjunto de habilidades", afirmou ele.

"Nós estamos combinando jornalismo com boas histórias."

O programa é exibido simultaneamente em nove canais na Star India Network, de propriedade de Rupert Murdoch, bem como no canal estatal Doordarshan.

No último episódio da primeira temporada, que foi ao ar no domingo, Khan abordou os conflitos religiosos no Estado ocidental de Gujarat, em que centenas de pessoas foram massacradas em 2002, uma questão que ainda é extremamente sensível na Índia.

"A tentativa é de olhar para dentro. A tentativa é de ver o que estou fazendo de errado? O que posso fazer melhor? O que eu posso aprender sobre esta questão que eu já não sei?", afirmou Khan.

O programa de Khan tornou-se popular entre os indianos, chegando a atingir cerca de 800 milhões de pessoas, em um país de 1,2 bilhão. O show também tem 1,4 milhão de seguidores no Facebook e cerca de 69.000 no Twitter.

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