Drama de jovem com Aids salvou Elton John de passado "nojento"

sexta-feira, 3 de agosto de 2012 18:43 BRT
 

Por Terry Moseley

WASHINGTON, 3 Ago (Reuters) - Mais de 20 anos atrás, o cantor e compositor Elton John vivia, como ele mesmo descreve, uma vida nojenta, imersa em autocomiseração e abuso de drogas. Aí ele conheceu Ryan White.

White era um adolescente hemofílico norte-americano que em 1984 contraiu o vírus HIV numa transfusão de sangue. Ele foi expulso da escola por causa da doença, e se tornou um militante da conscientização e prevenção contra a Aids.

Ele morreu em abril de 1990, aos 18 anos, mas conseguiu mudar a vida de milhares de pessoas, e de milhares de outras que vieram após sua morte - inclusive o astro pop que virou seu amigo.

"Eu sentava na frente do meu tocador de CD, ouvindo ..., e me acabava de chorar, pensando: 'Sou uma pessoa decente, por que não fico bem? Por que não posso ser melhor? Estou vivendo a vida mais nojenta, não tenho mais valores', disse John numa recente entrevista à Reuters.

"(Agora) sou a pessoa mais sortuda do mundo, e tudo porque um jovem e sua família me mostraram que o que eles estavam fazendo era certo, e que o que eu estava fazendo era nojento."

John recentemente lançou seu primeiro livro, "Love Is the Cure: On Life, Loss, and the End of AIDS" (amor é a cura: sobre a vida, a perda e o fim da Aids), que é, menos do que uma autobiografia, um relato sobre até que ponto a sociedade e a medicina conseguem lidar com a doença, e o quanto ainda falta avançar.

Mas o livro também traz detalhes sobre a vida do artista, hoje com 65 anos, e da sua dependência de álcool e cocaína. O tema geral da obra, segundo ele, é a salvação - a dele e a de outros cujos mundos podem mudar com um pouco de compaixão.

Responsável por hits como "Candle in the Wind", ganhador de prêmios como Grammy, Oscar e Tony, o artista disse que White e sua família tiveram um impacto mais profundo sobre ele do que a glória musical.   Continuação...

 
O músico Elton John concede entrevista em Washington, nos Estados Unidos, em julho. 23/07/2012 REUTERS/Kevin Lamarque