ESTREIA-"O Exercício do Poder" traz duelo entre ética e política

quinta-feira, 9 de agosto de 2012 13:47 BRT
 

SÃO PAULO, 9 Ago (Reuters) - "O Exercício do Poder" tem uma missão difícil: criar algum tipo de empatia para os políticos, que estão no centro desta história, escrita e dirigida pelo cineasta francês Pierre Schöller e vencedora do prêmio da Federação Internacional dos Críticos no Festival de Cannes 2011.

É um filme eminentemente cerebral, que se conspira em torno da figura do ministro dos Transportes da França, Bertrand Saint-Jean, vivido pelo intenso ator belga Olivier Gourmet -um habituê do cinema humanista dos irmãos diretores Jean-Pierre e Luc Dardenne e que venceu, num trabalho deles, "O Filho" (2002), o prêmio de melhor ator em Cannes. Os Dardenne, aliás, são produtores de "O Exercício do Poder".

Ambientado em gabinetes, "O Exercício do Poder" é um filme para quem se interessa por política e também pelo desempenho de grandes atores. Além de Gourmet, está na tela outro grande veterano do cinema francês, Michel Blanc, na pele de Gilles, o minucioso chefe de gabinete do ministro, seu braço direito. O papel valeu a Blanc o César de melhor coadjuvante.

O filme parte de uma imagem intrigante: uma mulher abocanhada por um enorme crocodilo num palácio ministerial, e que vem de um sonho de Bertrand, que é brutalmente acordado pelo telefone. Ele recebe a notícia de um grave acidente de ônibus, que custou a vida de vários adolescentes.

Com a discussão da segurança nas estradas ganhando o topo dos noticiários, a primeira tarefa do ministro é minimizar os efeitos negativos, comparecendo ao local do desastre e medindo as palavras com a providencial intervenção de sua assessora de imprensa, Pauline (Zabou Breitman).

Não é a única crise que se desenha no horizonte de Bertrand, já que outros setores do governo, à sua revelia, pretendem privatizar as ferrovias.

Os sindicatos se enfurecem na direção do ministro e é ele, mais uma vez, quem tenta apagar o incêndio -ao mesmo tempo em que testa os limites da própria influência e jogo de cintura, se quiser permanecer no posto.

Escapando da armadilha de ficar limitado a esses bastidores, o filme promove a humanização do ministro, desviando-se dos palácios para sua intimidade. Ele é visto em casa com a mulher (Arly Jover) e também numa surpreendente visita a pessoas comuns.

Isto acontece quando ele troca de motorista, contratando um desempregado, Martin Kuypers (Sylvain Deblé) -escolhido a dedo numa jogada de marketing, para dar o exemplo.   Continuação...