9 de Agosto de 2012 / às 17:08 / em 5 anos

ESTREIA-Tentativa de suicídio sustenta trama de "A Tentação"

SÃO PAULO, 8 Ago (Reuters) - Um jovem (Charles Hunnam) está no parapeito de um prédio, contemplando o vazio. Um policial (Terrence Howard), vivendo o pior dia de sua vida, chega para tentar convencê-lo a não pular dali.

A partir desse argumento simples, o diretor e roteirista inglês Matthew Chapman, radicado nos EUA, estica a tensão, produzindo um drama envolvente, que vai bem além de sua premissa e tem no elenco a boa presença de Liv Tyler (a Arwen da trilogia “O Senhor dos Aneis”).

A ação começa com o detetive Hollis (Howard), fazendo uma descoberta terrível sobre sua família num consultório médico, que simplesmente destroi todo seu sentimento de felicidade e segurança.

Abalado pela revelação, ele não está nas melhores condições para atender a um candidato ao suicídio. Mas tem de fazê-lo, porque naquele momento não há outro policial para a ocorrência.

No alto do prédio, Gavin Nichols (Hunnam), um subgerente de hotel, parece hesitar. O detetive aproveita e tenta ganhá-lo na conversa, que dá oportunidade para que a história de Gavin se desenrole em flashback.

São personagens cruciais na trama Joe Harris (Patrick Wilson) e Shana (Liv Tyler), casal que se mudou para o apartamento ao lado de Gavin. O subgerente não esconde sua atração pela bela vizinha e até lhe arruma emprego como arrumadeira em seu hotel.

O fundamentalismo protestante de Joe entra como componente perturbador no relacionamento com o vizinho, que divide o apartamento com um amigo gay, Chris (Christopher Gorham). Tudo é motivo para pregações de Joe, que enxerga o pecado em todo lado, provocando discussões acaloradas com Gavin.

Shana tem razões no passado para compartilhar, até certo ponto, do fervor do marido. Não o suficiente, porém, para evitar um envolvimento com Gavin, que está por trás da situação de risco em que ele se encontra, no alto do prédio.

Roteirista experiente, de filmes como “Jogos de Adultos” (1992), de Alan Pakula, Chapman -que é marido da atriz e produtora brasileira Denise Dummont (“A Era do Rádio”) - assina aqui seu quarto longa como diretor, assegurando ritmo na condução da narrativa, criando bons diálogos e situações para permitir bons momentos solo a cada um de seus bons atores.

Interrogando Gavin sobre sua vida, o policial Hollis conduz uma investigação que alimenta o suspense em torno do paradeiro dos outros integrantes desta trama que atingiu um ponto dramático.

Com este recurso, sustenta-se um eficiente drama familiar, entremeado de paixões difíceis e tecendo uma relação de irmandade entre o quase suicida e o policial -que, enquanto escuta a história do outro, pensa na sua própria, que está pendente de uma grande decisão.

O celular que toca é um constante lembrete dessa angústia. Assim como o relógio que se aproxima do meio-dia, hora fatal para a decisão final de Gavin.

(Por Neusa Barbosa, do Cineweb)

* As opiniões expressas são responsabilidade do Cineweb

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