Ombudsman de direitos humanos na Rússia critica sentença de Pussy Riot

quinta-feira, 23 de agosto de 2012 16:15 BRT
 

Por Gabriela Baczynska

MOSCOU, 23 Ago (Reuters) - O ombudsman dos direitos humanos da Rússia chamou nesta quinta-feira de "excessivas" as penas de prisão dadas às três mulheres da banda punk Pussy Riot e advertiu que o caso estava inflamando tensões perigosas dentro da sociedade.

O trio foi condenado por vandalismo motivado por ódio religioso por um tribunal de Moscou em 17 de agosto após cantar uma música com palavrões contra o presidente russo, Vladimir Putin, no altar da principal catedral de Moscou em fevereiro.

Vladimir Lukin, que foi originalmente nomeado para seu papel consultivo por Putin, disse que ele poderia contestar a condenação de Nadezhda Tolokonnikova, Maria Alyokhina e Yekaterina Samutsevich se seus termos de prisão fossem confirmados em uma apelação.

"É uma contravenção que em um Estado europeu normal e civilizado, como a Rússia, isso seja tratado no administrativo e não no procedimento penal. É por isso que eu acho que a decisão sobre essas mulheres é excessiva", afirmou ele em entrevista coletiva quando perguntado sobre o caso.

Governos ocidentais e cantores têm condenado as sentenças como desproporcionais e o caso se tornou uma causa célebre na mídia ocidental, onde a maioria dos comentaristas ecoa a opinião da oposição russa de que o veredicto era parte de uma repressão aos dissidentes por Putin.

No entanto, o Kremlin tem denunciado a crítica estrangeira como politicamente motivada.

Muitos crentes ortodoxos russos disseram que também foram ofendidos com o protesto, parte de uma onda de manifestações contra Putin antes de sua eleição para a Presidência em março para um terceiro mandato.

As mulheres afirmaram que não tinham a intenção de ofender e protestavam contra os estreitos laços entre o Estado e a Igreja Ortodoxa Russa, cujo líder comparou os anos de Putin no comando como um "milagre de Deus" algumas semanas antes do protesto da banda.   Continuação...