Documentos mostram interesse da Casa Branca em filme de Bin Laden

terça-feira, 28 de agosto de 2012 20:32 BRT
 

Por Mark Hosenball

WASHINGTON, 28 Ago (Reuters) - Documentos divulgados pelo Pentágono e pela CIA lançam luz sobre o interesse de autoridades da Casa Branca em um projeto de filme de Hollywood dramatizando a incursão dos Estados Unidos na qual Osama bin Laden foi morto.

Os documentos divulgados para o Judicial Watch, um grupo conservador, dentro da Lei de Liberdade de Informação e tornado públicos nesta terça-feira incluem e-mails entre altos funcionários do Pentágono e da Casa Branca discutindo esforços para cooperar com a cineasta Kathryn Bigelow e com o roteirista Mark Boal sobre o filme da captura de Bin Laden.

A controvérsia surgiu no ano passado quando a colunista do New York Times Maureen Dowd escreveu que o filme deveria ser lançado semanas antes da eleição presidencial de 6 de novembro. A estreia posteriormente foi adiada para depois da eleição, apesar de trailers do filme terem sido lançados pela Sony Pictures.

Alguns críticos do presidente norte-americano, Barack Obama, incluindo proeminentes membros republicanos do Congresso, têm citado a cooperação do governo com os cineastas como parte de um suposto padrão de vazamentos deliberados de segurança nacional com intuito de melhorar a imagem de Obama conforme a eleição se aproxima. Obama negou veementemente que a Casa Branca vazou informações confidenciais delicadas.

Documentos publicados pelo Judicial Watch em maio indicaram que Bigelow e Boal, que estavam por trás do filme vencedor do Oscar "Guerra ao Terror", haviam se relacionado com a CIA e altos funcionários do Pentágono antes de se envolverem com a Casa Branca.

O material recém-lançado parece confirmar isso, mas também indica que funcionários da Casa Branca queriam manter o controle sobre esse e outros projetos importantes na mídia sobre o ataque a Bin Laden.

Em uma mensagem ao vice-conselheiro de Segurança Nacional, Ben Rhodes, e ao vice-secretário de Imprensa da Casa Branca, Jamie Smith, em 15 de junho de 2011 -- seis semanas após a captura de Bin Laden -- o chefe de Relações Públicas do Pentágono, Douglas Wilson, pediu a "orientação" deles sobre até que extensão as autoridades de defesa deveriam cooperar com projetos de mídia sobre a incursão e o filme de Boal e Bigelow em particular.

"O nosso compromisso global com Boal e Bigelow até hoje tem sido muito geral", escreveu Wilson. Mas, conforme o projeto evoluiu, disse ele, Michael Vickers, o civil do Pentágono encarregado das operações especiais, e outros altos funcionários "gostariam de receber orientação sobre os parâmetros".

Wilson afirmou que Boal e Bigelow estavam trabalhando com o Pentágono e a CIA em "briefing de contexto inicial", e que Leon Panetta, então diretor da CIA, tinha dado a sua "plena aprovação/apoio" para tais briefings. Ele também disse que o então secretário de Defesa Robert Gates "compartilhava... admiração por seus esforços de filmes anteriores".